IA melhora o processo de aprendizagem ou apenas entrega respostas prontas?
Com o retorno das aulas para o segundo semestre, uma pergunta se torna cada vez mais difícil de ignorar: quando estudantes usam inteligência artificial para estudar, seja nas tarefas de casa ou na sala de aula com mediação do professor, a tecnologia ajuda a aprender ou apenas entrega a resposta no lugar do aluno? Essa questão inspirou uma pesquisa recente, publicada na revista científica npj Science of Learning, do grupo Nature .
Pesquisadores reuniram dados de quase 4.600 alunos, em 28 estudos diferentes.
O resultado? A IA pode, sim, melhorar o aprendizado, mas não necessariamente mais do que outras ferramentas digitais de ensino.
Leia mais 64,8% dos alunos saem do ensino médio sem aprender português adequadamente CNE lança parecer orientando escolas sobre "lei das férias" USP segue entre 150 melhores universidades do mundo, mostra levantamento Nos oito estudos que compararam tutores de IA com o ensino tradicional, sete encontraram ganhos significativos de aprendizagem, de médio a grande porte.
Em um deles, realizado na China, os alunos que usaram IA para aprender o teorema de Pitágoras evoluíram 4,19 vezes mais que o grupo que só teve aula convencional.
A história muda quando a comparação é feita com outras ferramentas digitais de ensino sem inteligência artificial — e não com a aula tradicional.
Dos quatro estudos desse tipo, apenas um encontrou vantagem clara para a IA.
Para os autores, o que pode fazer a diferença não é a tecnologia em si, mas o desenho pedagógico por trás dela .
Ricardo Villar, vice-presidente de AI Solutions da Software.com.br, resume a ideia numa analogia: um chatbot genérico é como uma calculadora — resolve a operação, mas não ensina o aluno a pensar.
“A resposta certa não é o mesmo que aprendizagem”, afirma o executivo em entrevista à CNN Brasil.
Por que o chatbot genérico pode atrapalhar em vez de ensinar? Algumas escolas, inclusive no Brasil, vêm adotando o uso de tecnologia com mediação do professor • Gpointstudio/Magnific A diferença entre responder e ensinar é justamente o que faz um chatbot genérico tropeçar na educação.
Para Villar, ensinar vai além de apenas fornecer conteúdo: envolve metodologia, currículo e uma visão pedagógica que define o papel do professor e do aluno — e, principalmente, “o grau de autonomia que se busca desenvolver no estudante”.
Os chatbots baseados em modelos de linguagem — como o ChatGPT e o Gemini — são baratos e eficientes para tirar dúvidas e aumentar a produtividade de professores e alunos.
Mas, como não foram concebidos para fins educacionais , diz Villar, têm dificuldade em acompanhar a evolução do aprendizado e adaptar o ensino ao estágio de cada estudante.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.