Com Foz do Amazonas, valor da Petrobras pode ir a R$ 811 bi até fim do ano
Embora a recente identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho , no Amapá, ainda não signifique a existência de grandes reservas de óleo e gás natural na Bacia da Foz do Amazonas, a Petrobras pode ver seu valor de mercado saltar dos atuais R$ 632 bilhões para R$ 811 bilhões até o fim do ano, segundo estimativa baseada em um relatório do Itaú BBA (braço do banco voltado a grandes investidores) que analisou a descoberta.
A avaliação da Petrobras em R$ 811 bilhões é uma projeção conservadora. No relatório, o Itaú BBA projetou que até o final de 2026 a ação mais negociada da empresa, a PETR4, valerá R$ 63, muito acima dos R$ 44,30 em que fechou na sexta-feira (21). O valor da empresa saltaria de R$ 632,5 bilhões para R$ 811,4 bilhões (valorização de 28%) ao multiplicar os R$ 63 por todas as 12,88 bilhões de ações existentes da Petrobras.
Se a projeção se confirmar, a ação da Petrobras vai se aproximar da máxima histórica em termos nominais. O recorde foi em 2008, com a euforia provocada pela descoberta do megacampo de Tupi, na camada pré-sal, meses antes. Em maio daquele ano, a PETR4 chegou a R$ 52,51 (R$ 144,21 em valores de hoje), com a empresa avaliada em R$ 510,3 bilhões, o equivalente a R$ 1,4 trilhão em cifra corrigida pela inflação.
No longo prazo, a valorização da Petrobras pode ser ainda maior. Se a estatal confirmar a projeção da EPE ( Empresa de Pesquisa Energética) de que existem 5,7 bilhões de barris recuperáveis (que dá para extrair) só na Foz do Amazonas, as reservas comprovadas de petróleo em todo o Brasil cresceriam 33%, e as da própria Petrobras, até 55%. Para toda a Margem Equatorial, formada por cinco bacias, a EPE estimou em seu PDE ( Plano Decenal de Expansão de Energia) 2035 a existência de 41 bilhões de barris em potencial, número superior ao da ANP (Agência Nacional de Petróleo), que projeta 30 bilhões de barris.
O otimismo do Itaú BBA para as ações no longo prazo leva em conta a possibilidade de a Petrobras confirmar os 5,7 bilhões de barris na Foz do Amazonas. A conta do banco se apoia no indicador EV/Reserva, que mede quanto vale a empresa para cada barril de petróleo em reservas. O valor despencaria dos atuais US$ 12,7 por barril equivalente para US$ 8,5, abaixo do praticado por concorrentes globais. Essa queda atrairia investidores, valorizando o preço da ação.
Os até 6 bilhões de barris recuperáveis na Foz do Amazonas têm valor bruto estimado em R$ 3,8 trilhões. O cálculo, que considera o preço do barril do tipo Brent a US$ 70 e a taxa de câmbio a R$ 5,40, é da FGV-IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
Como extrair petróleo naquela região é barato, a margem de lucro valeria a pena. "O custo de extração na região tende a ser muito baixo a julgar pelo que tem sido observado na Guiana, em uma região petrolífera contígua à Margem Equatorial, situando-se entre US$ 15 e US$ 30 o barril, mesmo se tratando de águas profundas", diz o relatório sobre a região onde a ExxonMobil opera com elevada margem de lucro.
O próprio Itaú BBA diz que ainda é cedo para incorporar a descoberta ao plano de investimentos de longo prazo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.