Na caneta ou no comprimido: o que promete o mais novo primo do Ozempic
Uma molécula, duas vias de ação e administração.
Já vislumbramos os primeiros sinais da zenagantida , a nova droga experimental para excesso de peso e diabetes tipo 2 da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk.
Conhecida até pouco tempo como amicretina, a zenagantida é um peptídeo desenvolvido pela fabricante de Ozempic e Wegovy capaz de ativar dois receptores do organismo: o do GLP-1, hormônio que regula o açúcar no sangue e a saciedade, e o da amilina, hormônio produzido pelo pâncreas que também atua no controle do apetite e da velocidade de esvaziamento do estômago.
É esse duplo mecanismo, batizado de agonista unimolecular de receptores de GLP-1 e amilina, que diferencia a medicação de remédios já conhecidos, como a semaglutida , que atuam em apenas uma dessas vias.
Dois estudos inéditos com a substância acabam de ser publicados na revista científica The Lancet, uma das publicações médicas mais respeitadas do mundo.
É importante destacar, desde já: ambos são ensaios clínicos de fase 2, etapa intermediária dos testes em humanos, que avalia dose, eficácia preliminar e segurança, mas ainda está longe de autorizar o uso comercial.
A zenagamtida não tem registro em nenhuma agência regulatória do planeta e não pode, portanto, ser prescrita, vendida ou comercializada sob nenhuma hipótese.
Continua após a publicidade Como agem os dois hormônios imitados pelo medicamento O GLP-1 estimula a liberação de insulina quando a glicemia sobe, reduz a produção de glucagon, hormônio que eleva o açúcar no sangue, retarda o esvaziamento gástrico e atua no cérebro diminuindo o apeite e aumentando a saciedade.
Já a amilina age em receptores do cérebro ligados ao apetite, reforçando esse efeito de saciedade e desacelerando ainda mais a passagem do alimento pelo estômago.
A aposta científica por trás da zenagantida é que a soma dessas duas ações, em vez de apenas uma, como ocorre na maioria dos remédios da classe hoje disponíveis, produza reduções mais expressivas de peso corporal e de açúcar no sangue.
O estudo com a versão injetável semanal Liderado pelo Dr Pablo Mora, do Centro Médico Southwestern da Universidade do Texas, o primeiro estudo testou seis doses da zenagantida injetável, de 0,4 mg a 40 mg, aplicadas uma vez por semana, via subcutânea, em 262 adultos com diabetes tipo 2 não controlado, todos em uso de metformina.
Após 36 semanas, a hemoglobina glicada, exame que reflete a média do açúcar no sangue nos últimos três meses, caiu até 1,71 ponto percentual a mais que o placebo (caneta sem princípio ativo) na dose mais alta, partindo de uma média inicial de 7,8%.
Continua após a publicidade Quase nove em cada dez participantes que receberam a dose máxima, 89,1%, atingiram hemoglobina glicada abaixo de 7%, patamar considerado de bom controle glicêmico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.