Chile regula deepfakes e obriga plataformas a retirar conteúdo em 72 horas
| Mobile Time Latinoamérica | A Câmara dos Deputados do Chile deu um novo passo rumo à regulamentação de conteúdos gerados por inteligência artificial ao aprovar um projeto de lei que pune a criação e a disseminação de deepfakes .
A iniciativa, apresentada pela deputada Gael Yeomans, busca proteger as pessoas diante de representações digitais realistas, mas falsas, de sua imagem, corpo ou voz — tecnologias que podem ser utilizadas para cometer fraudes, extorsões, falsidade ideológica ou prejudicar a reputação de terceiros.
Multas de até 716 milhões de pesos chilenos Um dos principais elementos da proposta são as sanções econômicas para quem praticar as condutas previstas.
O projeto estabelece multas de 5 mil a 10 mil UTM, equivalentes a aproximadamente 358 milhões de pesos chilenos e 716 milhões de pesos chilenos, respectivamente.
Além disso, os tribunais poderão determinar medidas cautelares para retirar ou bloquear conteúdos, com o objetivo de evitar que a disseminação de uma representação falsa cause um dano que posteriormente seja difícil ou impossível de reparar.
A iniciativa também estabelece um novo conceito de “direito à integridade digital”, segundo o qual toda pessoa teria o direito de não ter sua imagem, corpo ou voz utilizados para gerar representações digitais verossímeis, mas falsas, por meio de inteligência artificial ou outras tecnologias.
Além disso, a proposta prevê que a identidade digital possa se estender para além da morte.
Nesse cenário, os herdeiros poderão tomar medidas quando a imagem, a voz ou o corpo de uma pessoa falecida forem recriados por meio de inteligência artificial sem autorização.
Empresas e plataformas digitais A proposta também estabelece obrigações para pessoas físicas, empresas e plataformas digitais, embora preveja uma exceção para serviços de mensagens privadas.
Entre as medidas previstas estão a identificação de conteúdos gerados por IA e a obrigação de as plataformas retirarem material denunciado em um prazo máximo de 72 horas.
Também está previsto que essas empresas tenham um representante legal no Chile.
A fiscalização dessas disposições ficaria a cargo da Agência de Proteção de Dados Pessoais.
O projeto também gerou debate sobre o nível de responsabilidade atribuído às plataformas digitais em relação aos conteúdos publicados por seus usuários.
Entre as preocupações levantadas estão os riscos de afetar a liberdade de expressão, assim como a possibilidade de que as novas obrigações gerem incerteza para empresas que desenvolvem ou utilizam tecnologias de inteligência artificial para fins legítimos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.mobiletime.com.br — o conteúdo pertence a Mobile Time.