Em resposta aos EUA, Brasil nega falhas no combate ao crime organizado
Donald Trump declarou que o governo brasileiro falhou em enfrentar o PCC e o Comando Vermelho
O governo brasileiro negou na 4ª feira (16.set.2026) que existam falhas ou omissões no combate ao crime organizado transnacional. A nota é uma resposta a uma manifestação do governo dos Estados Unidos, que afirmou que o Brasil falhou em confrontar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, organizações classificadas como “terroristas” por Washington.
“O governo brasileiro seguirá atuando de forma soberana e coordenada no enfrentamento às organizações criminosas, como demonstram os resultados obtidos nos últimos anos” , declarou o Ministério da Justiça e Segurança Pública em nota. Eis a íntegra (PDF – 168 kB).
A crítica norte-americana consta de documento enviado pelo governo dos EUA ao seu Congresso na 3ª feira (15.set). O relatório apresenta anualmente os países identificados como maiores produtores e rotas de trânsito de drogas. O Brasil não integra a relação de 23 nações citadas, mas foi alvo de críticas na parte narrativa do texto.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública disse que as críticas norte-americanas não correspondem à categoria jurídica de descumprimento formal estabelecida na legislação que rege o mecanismo. Segundo o ministério, trata-se de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva.
O governo brasileiro disse que a manifestação norte-americana “desconsideraria a robusta cooperação já existente no combate ao crime organizado transnacional” .
Segundo a nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entregou pessoalmente, em 7 de maio deste ano, em Washington, uma proposta com medidas conjuntas de enfrentamento à lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas. “Até o momento, permanecemos no aguardo da possível resposta do governo dos EUA” , lê-se no texto.
O governo federal enumerou iniciativas recentes para refutar a posição norte-americana. Entre elas estão a Lei Antifacção , sancionada em março de 2026, que estabelece penas mais duras para líderes de facções e cria mecanismos para sufocar suas operações.
A nota fala em “ dezenas de milhares ” de operações de combate ao crime conduzidas por forças federais, com “ bilhões de reais de prejuízo aos criminosos ”.
O texto menciona ações implementadas no Programa Brasil contra o Crime Organizado , lançado em maio de 2026. O programa atua no enfraquecimento econômico das facções, no fortalecimento do sistema prisional, na qualificação das investigações de homicídios e no combate ao tráfico de armas.
De acordo com a nota, o combate ao crime organizado é prioridade do governo federal e as ações são conduzidas de forma permanente por meio de inteligência, investigação, integração entre as forças de segurança e cooperação internacional.
“Ato interno dos Estados Unidos de determinação dos maiores países produtores e de trânsito de drogas para o ano fiscal de 2027
“Entretanto, foi objeto de críticas laterais no documento.
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