Como as escolas podem ajudar a formar cidadãos na era da informação
Mais de 90% dos brasileiros de 9 a 17 anos usam a internet e 48% recorrem à rede para ler ou assistir a notícias, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025.
Para Celso Hartmann, vice-presidente do Sinepe/PR (Sindicato das Escolas Particulares), o desafio da nova geração deixou de ser apenas encontrar informação: o jovem precisa aprender o que fazer com ela.
“Em um mundo de excesso de dados, formar um bom aluno também significa formar alguém que não aceite automaticamente como verdadeiro tudo aquilo que aparece em sua tela”, explica.
Para as escolas, isso significa ensinar crianças e adolescentes a perguntar quem produziu determinado conteúdo, de onde veio, se há evidências e se outras fontes confirmam aquela informação.
A proposta é desenvolver nos jovens uma postura crítica diante do que aparece na tela, em vez de simplesmente ensinar a identificar uma ou outra fake news.
A popularização da inteligência artificial trouxe uma nova camada ao problema. Dados da pesquisa indicam também que 65% dos usuários de internet de 9 a 17 anos já utilizaram ferramentas de IA generativa. Entre adolescentes de 13 a 17 anos, o índice chega a 75%. Textos, imagens, áudios e vídeos produzidos ou alterados por IA podem parecer reais e convincentes. Por isso, os estudantes precisam aprender quando acreditar, por que e como verificar uma informação quando houver dúvida. “Não precisamos formar jovens que desconfiem de tudo. Precisamos formar jovens que saibam quando confiar, por que confiar e como verificar quando houver dúvida”, explica.
A educação midiática nesse contexto também é importante para mostrar aos alunos que nem tudo o que aparece nas redes tem a mesma finalidade: um conteúdo pode informar, mas também pode vender, persuadir ou defender determinado ponto de vista.
“É importante compreender que a desinformação nem sempre é uma mentira evidente. Uma informação verdadeira pode ser apresentada fora de contexto; uma fotografia pode ser real, mas atribuída a outro acontecimento; um gráfico pode utilizar dados corretos e, ainda assim, induzir a uma interpretação equivocada”, reforça Hartmann.
As crianças e os adolescentes que hoje estão aprendendo a interpretar informações serão, em poucos anos, os adultos responsáveis por decisões que ultrapassam suas próprias vidas e podem impactar famílias, empresas, comunidades e toda a sociedade. Prepará-los para esse futuro vai muito além de ensiná-los a reconhecer uma notícia falsa.
“No ambiente digital, compartilhar também é assumir responsabilidade pela informação que ajudamos a colocar em circulação. Talvez essa seja uma das aprendizagens mais importantes da educação contemporânea”, enfatiza.
Uma sociedade democrática precisa de cidadãos capazes de analisar informações, considerar diferentes perspectivas, questionar argumentos e tomar decisões com autonomia e discernimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.