Vídeos levantam suspeita sobre ação da Rota em abordagem com morte na Grande SP
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Um policial militar é filmado mexendo no porta-malas do carro de um homem que havia sido morto minutos antes, a tiros, por equipes da PM em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo . No mesmo porta-malas, uma mochila com 12 tijolos de maconha é fotografada horas depois pela perícia do Instituto de Criminalística.
A cena captada por uma câmera de vigilância e outros detalhes do caso de novembro de 2025, que não eram conhecidos publicamente até aqui, lançam dúvidas sobre a conduta dos policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, tropa de elite conhecida pelos altos índices de letalidade ).
Na gravação, o PM está em um pequeno espaço entre a parte traseira do carro da vítima, um Toyota Corolla prata, e a lateral de uma viatura da polícia que está com a porta aberta —e que bloqueia a visão de quem passa pela rua. Ele parece retirar algo de dentro da viatura antes de mexer no porta-malas do Corolla, que não havia sido aberto até então.
Outro policial, ao seu lado, é quem abre o compartimento. Ele não olha dentro do porta-malas —o que seria esperado em um procedimento de revista— e mantém o rosto em outra direção. Não é possível enxergar o que o PM manuseia enquanto está parado entre os dois carros.
Questionada, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que as circunstâncias do caso são investigadas e que "toda a dinâmica da ocorrência, incluindo o acionamento das câmeras operacionais portáteis, os procedimentos adotados no local e demais elementos probatórios" estão sob análise na Polícia Civil.
O homem que foi morto dentro do carro é o advogado Carlos Alves Vieira, 48 , conhecido como Ferrugem. Segundo o boletim de ocorrência, os PMs disseram que haviam recebido "informações do serviço de inteligência" de que ele estaria transportando drogas e armas.
Eles disseram que houve uma troca de tiros durante a tentativa de abordagem —com três PMs disparando pistolas e um fuzil— que resultou na morte do suspeito. Duas pistolas foram apresentadas na delegacia e atribuídas ao motorista do Corolla.
A família diz que Vieira foi morto em frente ao muro da empresa da qual era dono, que ele fazia seu trajeto rotineiro e que isso será provado. Pouco antes, havia almoçado com o irmão e passado em um barbeiro, antes de ir até a empresa para fechá-la, afirmam.
Vieira foi apontado pelo governo paulista como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) após ser morto, mas a Ouvidoria das Polícias contesta essa alegação . Além de recém-aprovado na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ele era sócio de lojas de peças de motocicleta e de uma empresa de logística.
A 6ª Promotoria de Justiça de Itaquaquecetuba, em um requerimento à Justiça apresentado em fevereiro, classificou a ocorrência como "possível execução sumária de um cidadão sem antecedentes criminais relevantes e sem qualquer vínculo com facções criminosas, conforme aponta a Ouvidoria".
A defesa da família diz que as imagens "causam estranheza".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.