Balanço da TSMC: Por que ADRs caem mesmo após resultados recordes? Pressão nas margens chamam atenção, diz analista
A temporada de balanços corporativos começa a ganhar tração no exterior, com a TSMC publicando seus resultados referentes ao terceiro trimestre do ano na noite da última quarta-feira (14).
Por mais um trimestre, os resultados foram recordes, com a receita saltando mais de 50% e o lucro por ação ( EPS , na sigla em inglês) avançando quase 70% no trimestre.
“Em suma, o trimestre responde à dúvida que o último resultado tinha deixado aberta.
As margens seguem elevadas, mesmo com a produção de chips de 2 nm já pressionando o resultado na margem”, escreve Rafael Scarpa, chefe de equity research da Empiricus.
Para o analista, o que explica a queda de quase 3% dos ADRs (recibos de ações do exterior), apesar dos resultados recordes, é a leve contração das margens no trimestre, um cenário de maior cautela com o setor de inteligência artificial , observado nos últimos dias — além do clássico movimento de “compra no boato e vende no fato”.
Veja os números: Indicador 3T26 Variação a/a Receita NT$ 1,49 trilhão (US$ 46,72 bi) +50,9% Margem Bruta 66,4% +6,9 p.p.
Margem Operacional 58,7% +8,1 p.p.
Lucro Líquido NT$ 763,06 bilhões (US$ 23,85 bi) +68,7% Lucro por Ação (EPS diluído) NT$ 29,43 +68,7% Pressão por nanômetro: os dados da TSMC Na visão do analista, a tecnologia de nó de 2 nanômetros, que permite uma capacidade de processamento maior em um espaço menor, passou a representar 8% das receitas.
Já a de 3 nanômetros representou 33% (+10 p.p. na comparação anual), enquanto os nós maiores, de 5 e 7 nanômetros, vêm perdendo participação na receita de silício, com 28% (-9 p.p.) e 10% (-4 p.p.), respectivamente, refletindo a migração para tecnologias mais avançadas.
“Apesar da receita recorde, as margens sofreram uma leve contração na comparação trimestral, pressionadas pelos custos de produção dos chips de 2 nm.
No início de um novo nó tecnológico, o custo por wafer é mais alto, pressionando a margem consolidada até que o volume de produção amadureça”, explica Scarpa.
Dessa forma, a margem bruta ficou em 66,4% (+6,9 p.p. na comparação anual), e a margem operacional chegou a 58,7% (+8,1 p.p. no mesmo intervalo).
Para o quarto trimestre, o guidance da empresa espera uma receita entre US$ 52,3 bilhões e US$ 54,3 bilhões, acima das projeções próximas de US$ 51 bilhões, considerando uma taxa de câmbio de NT$ 31,8 por dólar.
A margem bruta deve ficar entre 65% e 67%, e a operacional, entre 56,5% e 58,5%, faixa cujo teto fica perto do que a companhia acabou de entregar.
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