Médica é denunciada por morte de 6 crianças em UTI de hospital privado no interior do Paraná
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O MPPR ( Ministério Público do Paraná) denunciou, nesta terça-feira (18), uma médica pela morte de seis crianças na UTI pediátrica do hospital privado Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, a 20 quilômetros de Curitiba . O processo tramita sob sigilo.
As crianças, incluindo recém-nascidos, morreram por choque séptico e falência múltipla de órgãos, entre maio e julho de 2024, em decorrência de uma contaminação hospitalar por bactérias multirresistentes.
Procurado por e-mail e telefone para esclarecer quando e como identificou a contaminação e sobre a responsabilidade da médica denunciada, o hospital Angelina Caron não respondeu aos questionamentos até a publicação deste texto.
A profissional era diretora técnica da unidade pediátrica do hospital e, segundo a acusação, agiu com "grave negligência" ao se omitir da fiscalização e da aplicação de protocolos básicos de assepsia e biossegurança.
"Ela permitiu que surgisse um ambiente de contaminação cruzada por meio de práticas inaceitáveis, como a reutilização de luvas em procedimentos entre pacientes distintos, falta de banho, manuseio inadequado de intubações e acessos venosos e também de fraldas das crianças", disse o promotor de Justiça Éder Teodorovicz.
A denúncia foi apresentada em 14 de agosto e recebida pela Justiça em 17 de agosto deste ano, segundo o MPPR.
A responsabilização apresentada pelo MPPR é por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
"Se comprovarem que houve de fato uma inobservância dos procedimentos corretos, seja de higiene, limpeza e afins, a pena, em cada homicídio, pode variar de 1 ano e 4 meses a 4 anos, podendo ter um aumento de um terço", afirma o advogado Gabriel Bergamo, especialista em direito da saúde do escritório Gabriel Bergamo Advocacia, em Curitiba.
Além da acusação criminal, o Ministério Público pediu que seja fixado um valor mínimo de reparação de R$ 50 mil para cada uma das seis famílias afetadas.
Segundo Bergamo, o hospital Angelina Caron também pode ser responsabilizado pelas mortes na esfera cível, a depender da apuração das circunstâncias do caso. Em caso de condenação, o hospital poderá ter de pagar uma reparação financeira às famílias.
"Para que isso não ocorra, o hospital teria que comprovar que seguia todos os protocolos de limpeza, higiene e fiscalização corretamente", afirma.
Segundo informações divulgadas no site oficial, o hospital tem 40 anos de atuação e conta com mais de 2.000 colaboradores, incluindo 350 médicos em 30 especialidades, além de serviços de média e alta complexidade.
A instituição afirma realizar cerca de 1 milhão de procedimentos por ano. Em 2025, mais de 128 mil pacientes foram atendidos no hospital.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Equilíbrio e Saúde.