Polônia e Alemanha ampliam cooperação militar
Projeto de defesa contra a Rússia aproxima os dois países, apesar de memórias da Segunda Guerra
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Um grupo de cerca de 40 engenheiros militares alemães trabalha desde junho na construção de fortificações na fronteira da Polônia com a Rússia e Belarus . A ação integra o “Escudo Oriental”, sistema defensivo de 800 quilômetros, iniciado há dois anos pelo governo polonês.
As obras avaliadas ficam próximas a Budry , na região da Masúria , perto do enclave russo de Kaliningrado .
Segundo a DW , soldados da Bundeswehr recebem treinamento específico para erguer estruturas capazes de barrar o avanço de blindados. Uma escavadeira posiciona blocos de concreto — os chamados “ouriços tchecos” — a cerca de 200 metros da linha fronteiriça, formando três fileiras de obstáculos.
Junto à fronteira há uma vala profunda e outra linha de barreiras . Entre as duas defesas antitanque, minas podem ser instaladas a qualquer momento, segundo um oficial polonês citado pela reportagem.
Durante inspeção das obras, o general polonês Stanislaw Czosnek afirmou que “ o s engenheiros alemães fizeram um trabalho excelente” . Segundo ele, em seis semanas de trabalho a equipe já havia erguido mais de um quilômetro de barreiras.
O general alemão Tilo Gante, presente na visita, declarou: “Estamos prontos para lutar pela democracia e pela liberdade” . A Bundeswehr trata o apoio ao projeto como uma missão oficial , com o objetivo, nas palavras de Gante, de “preservar a paz por meio de uma dissuasão credível” .
A Polônia destinará 200 bilhões de zlotys (cerca de R$ 282 bilhões) à defesa em 2026 — quase 5% do PIB nacional, a maior proporção entre os países da Otan. O país também comprou armamentos avançados, principalmente dos Estados Unidos, que seguem como o principal parceiro militar polonês, com cerca de 10 mil soldados estacionados em território nacional .
Segundo o analista Lukasz Jasinski , do Instituto Polonês de Assuntos Internacionais (PISM), a presença alemã nas obras tem função além da técnica: “Nossos parceiros ocidentais deveriam tratar essa fronteira um pouco como se fosse a sua própria” , disse à DW .
A aproximação militar entre os dois países, no entanto, enfrenta resistência de setores da política polonesa . O partido Lei e Justiça (PiS), hoje na oposição, recorre a memórias da Segunda Guerra Mundial para alimentar discurso contrário à cooperação com a Alemanha.
Em 2014, o líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski , chegou a dizer que seriam necessárias “pelo menos sete gerações” para que a presença de soldados alemães em solo polonês fosse aceita pela população. Em 2022, o então governo do PiS impediu o envio de baterias antiaéreas Patriot oferecidas pela Alemanha após um incidente com um míssil ucraniano.
Mais recentemente, em março de 2026, o presidente Karol Nawrocki , apoiado pelo PiS, vetou um crédito europeu de defesa de quase 44 bilhões de euros destinado à Polônia, sob a justificativa de que os recursos poderiam favorecer empresas alemãs do setor bélico.
Apesar dos atritos políticos, a cooperação militar entre os países avançou nos últimos anos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.