Ministro da Agricultura amplia atribuições de secretário-executivo
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, delegou ao secretário-executivo da pasta, Cleber Soares, a competência para conceder e dispensar uma gratificação destinada a servidores do ministério .
A decisão foi assinada na terça-feira (11) e publicada na quinta-feira (13) no Diário Oficial da União.
A Portaria MAPA nº 944 autoriza Cleber a praticar os atos relacionados à GTATA (Gratificação Temporária de Execução e Apoio a Atividades Técnicas e Administrativas), criada por lei em março deste ano.
A gratificação pode ser concedida a servidores que atuem em atividades técnicas e administrativas, como planejamento, orçamento, finanças, pessoal, contratos, logística, dados e controle.
A medida, isoladamente, tem caráter administrativo e não representa transferência do comando político do ministério.
A legislação que criou a GTATA prevê expressamente que o ministro pode delegar essa competência ao secretário-executivo.
Outros ministérios também vêm adotando esse modelo.
Em julho, por exemplo, o Ministério da Saúde subdelegou ao secretário-executivo a competência para conceder e dispensar a mesma gratificação.
Leia Mais Guilherme Coelho assume presidência do Conselho de Administração da Embrapa Agro vê perda de influência do Ministério em pautas estratégicas FPA articula votação de dívidas e seguro rural no Congresso O ato, porém, chama atenção pelo momento em que ocorre e pelo papel que Cleber Soares passou a ocupar dentro do ministério.
A ascensão do secretário ocorre em uma gestão marcada por questionamentos sobre a capacidade de André de Paula de impor sua própria agenda no ministério.
Como vem mostrando a CNN, lideranças do agronegócio, parlamentares, integrantes do governo e servidores relatam uma perda de protagonismo da Pasta em negociações consideradas estratégicas.
A visão que vem sendo relatada é que auxiliares do ministro passaram a exercer papel centralizador e criaram filtros para o acesso a André de Paula.
Além disso, permanece uma percepção de que o entorno do ministro estaria mais concentrado em controlar a comunicação política e proteger sua imagem do que em avançar nas pautas mais sensíveis para o setor.
“Disputa interna” O cenário também é tido internamente como um ambiente de “disputa interna pela influência sobre a pasta”.
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