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Clérigo enaltece resistência do Irã contra EUA: ‘povo é mais forte que qualquer bomba’

Opera Mundi ·
Clérigo enaltece resistência do Irã contra EUA: ‘povo é mais forte que qualquer bomba’

Em uma casa simples no centro da cidade de Qom, no sul de Teerã, a reportagem de Opera Mundi foi recebida pelo xeique Mohammad Haji Abolghasem Dulabi. Em meio a livros e tapetes persas, o clérigo de 51 anos, especialista no Alcorão, falou sobre a guerra travada por Washington e Tel Aviv, a questão nuclear e a força do povo iraniano.

A trajetória de Haji Abolghasem revela uma figura de profunda erudição e influência no cenário religioso e político do Irã .

Com graduação em Seminários de Nível 4 e um doutoramento em Ciências Corânicas, acumulou posições de destaque, como representante na Assembleia de Peritos da província de Zanjan, órgão crucial para a escolha e supervisão do líder supremo , e chefe do Centro de Relações entre Governo e Clero.

Sua formação, que transita entre estudos religiosos e acadêmicos, e o seu contato direto com o aiatolá Ali Khamenei, evidenciam uma autoridade que permeia entre o conhecimento teológico e a prática política, tornando-o uma voz singular para discutir a complexa relação entre percepção, mídia e identidade nacional.

Em sua explanação, Abolghasem recorre à filosofia da interpretação para demonstrar como a compreensão dos fenômenos é moldada pela percepção cultural e midiática de cada indivíduo. Ao contrastar a visão ocidental distorcida sobre o Irã com a realidade vivida pelos iranianos, ele denuncia a atmosfera negativa criada pela mídia estrangeira, que, segundo ele, frequentemente retrata o povo como “atrasado” ou “terrorista”.

Opera Mundi: Depois de uma onda de protestos no início do ano, como descreve o momento que o Irã vive face às pressões dos Estados Unidos e de Israel?

Haji Abolghasem Dulabi: tudo depende da visão de quem observa. Quem está sob a influência da mídia ocidental cria uma interpretação sobre o povo iraniano. Mas quem vive aqui tem uma realidade completamente diferente. Nós sabemos que existe uma atmosfera extremamente negativa contra nós no Ocidente.

Muitas vezes nos apresentam como um povo atrasado, terrorista e selvagem. Mas o que o povo iraniano realmente diz é: “queremos apenas alcançar os nossos direitos. Não queremos cometer injustiça contra ninguém, e também não permitiremos que ninguém seja injusto conosco”.

Você menciona a influência da mídia. Pode nos dar um exemplo concreto de como a percepção difere da realidade?

A mentalidade da pessoa influencia profundamente a maneira como ela compreende os fenômenos. Um dos fatores que mais influenciam nossa compreensão é o ambiente criado pelos meios de comunicação, que moldam e dominam nossa forma de pensar. Está vendo essa pedra? (Pega uma pequena pedra usada pelos muçulmanos durante as orações).

Para alguém que vem da Europa, isso é apenas um pedaço de terra endurecida. Mas para um xiita apaixonado pelo imã Hussein (neto do profeta Maomé), esse pedaço de terra é solo retirado do túmulo dele. Essa é a diferença.

A questão nuclear é um dos pivôs do conflito. O Irã busca a bomba atômica, como acusam os Estados Unidos e Israel?

Acreditamos que a energia nuclear é benéfica para todos. Mas a bomba atômica não é boa para ninguém. Os Estados Unidos dizem: “nós podemos ter bombas atômicas e energia nuclear.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.

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