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‘Não temos medo da guerra’: família iraniana deixa São Paulo e decide voltar ao país

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‘Não temos medo da guerra’: família iraniana deixa São Paulo e decide voltar ao país

“Não temos medo da guerra”. A afirmação é da iraniana Zeynab Alikhany, que, desde 2023, mora em São Paulo junto com seu marido, Farhad Ghasemi, e os dois filhos do casal — uma menina que nasceu no Irã e um menino que nasceu no Brasil — e que, agora, decidiu retornar ao Irã. “Não temos uma vida ruim aqui no Brasil, temos uma boa condição financeira e muitos amigos. A única coisa de que sinto falta é da família, que está toda no Irã”, disse à Opera Mundi.

Após três anos morando em terras brasileiras, a saudade falou mais alto e, mesmo no atual contexto de conflito, iniciado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra o território persa, o desejo de voltar não foi impedido. Segundo Alikhany, um dos primeiros lugares para onde deseja ir é o jardim de seu pai. “Tem um grande pomar com frutas e piscina. É onde meus irmãos e sobrinhos costumam se reunir.”

Mestre em contabilidade, Alikhany trabalhava em uma grande empresa no Irã, mas recebeu uma proposta de que, “se mudasse e aprendesse português, receberia um salário em torno de R$ 30 mil” na capital paulista.

Conversando com seu marido, entenderam que, apesar de terem uma vida “muito boa” no país, poderiam “viver melhor no Brasil”. Em julho de 2023, então, chegaram a São Paulo, mas o desenrolar foi diferente do esperado. “No final, foram informações incorretas e eu não obtive o salário prometido, mas conseguimos manter um bom padrão de vida, tanto eu quanto meu marido.”

No entanto, Alikhany recomeçou em uma área totalmente diferente. A princípio, como em toda mudança de país, ela explicou que tinha o desejo de aprender a língua nativa. “Eu pesquisei no Google, conversei com pessoas que me falaram de uma organização que ajuda imigrantes e que tem aula de português também. Em agosto de 2023, eu comecei a estudar e, mais ou menos em fevereiro de 2024, já tinha aprendido tudo”, disse.

Dessa forma, apesar de ser mestre em contabilidade, começou a trabalhar como tradutora de persa para português na mesma organização em que estudou. “Assim como eles me ajudaram, eu também ajudei. Além disso, trabalhei um pouco na recepção, com nota fiscal, entre outras coisas que tinham lá para fazer.”

Porém, a saudade da família continuou apertando a cada dia. “Fazemos ligação e videochamada, mas não é a mesma coisa. Quando minha filha chega da escola, sempre pergunta dos avós e dos tios que estão no Irã. Ela fala que alguma amiguinha foi ver o vovô e por que ela não pode também. Situações como essas apertam o coração, mas, pelo menos agora, eles vão poder se reencontrar”, disse.

Apesar de o Irã estar em um contexto de guerra, para a mestre em contabilidade, o cenário é “positivo” para o país. “O Irã vai ficar mais forte e os Estados Unidos vão ficar de fora”, afirmou.

“Se não tivéssemos a figura do Khamenei, o povo iraniano não estaria tão forte como está agora contra os Estados Unidos. Eu sei que tem pessoas que não gostam, assim como tem quem goste. Mas ele morreu lutando pelo nosso país. Ele não deixou os Estados Unidos tomar nossa terra.”

Para Alikhany, uma coisa que o mundo precisa aprender com os iranianos é a soberania.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.

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