É possível melhorar Bolsa Família e torná-lo mais amigável com trabalho, diz um dos pais do programa
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Há todo o espaço do mundo para aperfeiçoar o desenho do Bolsa Família , afirma o pesquisador Ricardo Paes de Barros , do Insper, em entrevista à Folha .
Ele é considerado um dos idealizadores do programa de transferência de renda, instituído em 2003 , no primeiro mandato de Lula (PT).
Para o especialista, o governo que estará à frente do Brasil a partir de 2027 deve ter entre as prioridades melhorar a focalização do auxílio –ou seja, "fazer mais dinheiro chegar a quem está mais pobre".
O Bolsa Família teve 19,3 milhões de famílias beneficiárias em julho. O número é quase 9% menor do que o registrado em março de 2023 (21,2 milhões), quando a terceira gestão de Lula retomou o programa em substituição ao Auxílio Brasil de Jair Bolsonaro (PL).
Os dados são de um painel do MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social). A página associa a redução do número de famílias, intensificada em 2025, a aumentos de renda (de outras fontes), modernização do Cadastro Único e atualização de regras de transição para quem passou a ter rendimento acima do limite de entrada no Bolsa Família.
Paes de Barros avalia que o ministério tomou algumas atitudes para ajustar o cadastro do público-alvo, mas vê desafios como tornar o programa mais "amigável com o trabalho".
O pesquisador defende, por exemplo, que os recursos obtidos com atividades profissionais não sejam totalmente contabilizados no cálculo da renda do Bolsa Família.
Para ter acesso ao benefício atualmente, uma família precisa obedecer ao teto de rendimento mensal de R$ 218 per capita (por pessoa). O cálculo considera a renda total dos integrantes dividida pelo número de pessoas.
O Bolsa Família tem sido alvo de críticas de setores da oposição e do empresariado , devido a uma suposta dependência gerada por esse dinheiro, o que afastaria as pessoas do mercado de trabalho . A leitura é rebatida por diferentes estudos .
Segundo Paes de Barros, programas de transferência abrem oportunidades para que a população pobre socialize e conquiste avanços pessoais, inclusive no mercado de trabalho.
"Por um lado, é mais renda, mas, por outro, é mais produtividade e é menos penoso você trabalhar [com o programa]", diz. "Trabalhar sem fome é menos penoso do que trabalhar com fome."
O especialista concedeu entrevista à Folha durante a 25ª Conferência Anual da Saet (Sociedade para o Avanço da Teoria Econômica), realizada em julho na sede do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), no Rio de Janeiro .
Há espaço para aperfeiçoar programas como o Bolsa Família? Há todo o espaço do mundo. Acho que o desenho do Bolsa Família hoje é pior do que era antigamente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.