‘Emergência 53’, no Globoplay, reforça filão das séries médicas com DNA brasileiro
Na sequência que abre a série Emergência 53 , novidade do Globoplay, uma explosão de gás provoca duas mortes e deixa pelo menos oito feridos em uma comunidade no Rio de Janeiro.
Ao chegar no local junto com os outros socorristas do SMU — referência fictícia ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu —, a enfermeira novata Manuela (Valentina Herszage) trava ao ver as vítimas, enquanto seus colegas experientes, Irene (Yara de Novaes) e Pedro (Emilio Dantas), correm para salvar a vida de quem for possível.
Quando reage, enfim, a jovem escuta o pedido de socorro de uma grávida, que caiu em um buraco durante a tragédia.
Um detalhe agrava o trabalho de Manuela: a gestante é namorada do chefe do tráfico — e o bandido se mantém ali cheio de marra para garantir que sua amada e seu filho sejam resgatados com vida.
CONHECIMENTO - Márcio Maranhão (à esq.) com atores: médico prepara elenco Laura Campanella/.
Criação dos diretores e roteiristas Cláudio Torres e Andrucha Waddington, em parceria com o médico Márcio Maranhão — nome por trás também da incensada Sob Pressão —, a série engrossa o prolífico filão de tramas médicas, mas com o toque único da realidade brasileira: por aqui, os profissionais de saúde lidam ainda com as feridas da violência urbana.
“O Samu entra até onde a polícia não vai, no lugar que o traficante permite”, explicou Torres a VEJA — o diretor, aliás, é filho de Fernanda Montenegro, que também atua na série.
Ao longo de dez episódios — cinco já estão no ar, os outros estreiam na quinta-feira 27 —, Emergência 53 se debruça sobre o realismo cru, numa mistura de cenas de ação e tensão.
“É mais que uma série médica, eu diria que é uma trama de adrenalina”, disse Dantas.
Por um longo tempo, o gênero médico na televisão foi dominado pelo rigor asséptico do modelo americano.
Em corredores reluzentes, médicos charmosos tomavam decisões de vida ou morte entre um flerte e um cafezinho, sob a luz branca de ER — Plantão Médico (1994-2009) ou Grey’s Anatomy (2005-).
No Brasil, a ficção médica precisou aprender a falar sua própria língua: aquela do improviso, do trauma e da dura constatação de que o principal inimigo do cirurgião, muitas vezes, não é a patologia, mas a falta de recursos.
É no sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e nas peculiaridades sociais que as produções nacionais encontraram sua identidade peculiar.
“Às vezes, colocamos uma loucura no roteiro e três semanas depois a mesma coisa está no jornal”, analisou Waddington.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.