O eleitor sintético: o que acontece quando pesquisas de opinião pública são simuladas por IA
Adriana Lima de Oliveira é pós-doutoranda no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP).
Cláucia Piccoli Faganello é pós-doutoranda em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (HCTE) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Rafael Cardoso Sampaio é professor de Comunicação Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores.
Vale a visita.
Em maio de 2026, reportagem de Patricia Mello na Folha de S.
Paulo abordou sobre os usos da inteligência artificial (IA) em diferentes aspectos das campanhas eleitorais.
Um ponto significativo foi apontado sobre como as campanhas estavam substituindo a pesquisa qualitativa (entrevistas e grupos de conversa com as pessoas) por “eleitores sintéticos”.
Elaborados com inteligência artificial generativa, tais personas podem imitar múltiplos perfis de eleitores e permitir testes pela campanha sem que pessoas reais sejam envolvidas.
O benefício óbvio é o custo significativamente menor.
A reportagem circulou em pelo menos seis veículos e abriu a pergunta que organiza um relatório que acabamos de publicar no Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para Métodos, Democracia e Sociedade (LabIIA) .
O que acontece com a representação democrática quando a opinião do eleitorado passa a ser simulada por máquinas treinadas para concordar com quem as interroga? Pesquisa com ‘eleitor sintético’ custa uma fração da tradicional A adesão das campanhas se explica por custo e velocidade.
Uma pesquisa de opinião quantitativa (daquelas exibidas na mídia sobre a porcentagem dos candidatos) com mil entrevistados custa cerca de R$ 150 mil e uma pesquisa qualitativa de boa qualidade dificilmente sai por menos de R$ 15 mil, ambas demorando a dar uma resposta.
O “eleitor sintético” sai por uma fração desse valor, responde em minutos e pode ser acionado a qualquer hora, sem convocar grupos de pessoas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em super.abril.com.br — o conteúdo pertence a Superinteressante.