O agro brasileiro precisa olhar para o Congresso norte-americano
Quando o assunto é a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, é natural que os olhos se voltem primeiro para a Casa Branca.
Afinal, decisões presidenciais, anúncios de tarifas e negociações entre governos produzem efeitos imediatos e ganham manchetes.
Mas uma passagem recente por Washington reforçou uma percepção que deveria receber mais atenção do agronegócio brasileiro: parte importante das decisões que podem afetar nossas exportações começa muito antes de chegar ao Executivo.
Começa no Congresso, nos comitês, nas audiências, nas associações setoriais e na capacidade permanente de diferentes grupos econômicos de apresentar informações, defender interesses e participar ativamente do processo de construção das políticas públicas.
Em 3 de novembro, os Estados Unidos realizam suas eleições legislativas.
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço do Senado estarão em disputa.
O resultado determinará as maiorias das duas Casas pelos próximos dois anos e, consequentemente, influenciará também a composição e a condução dos comitês legislativos.
Para o agro brasileiro, isso está longe de ser apenas política doméstica norte-americana.
Durante a missão da qual participei recentemente em Washington, uma das agendas ocorreu no Comitê de Ways and Means da Câmara dos Representantes, especificamente com representantes do Subcomitê de Comércio.
Talvez o nome diga pouco para quem está acompanhando uma safra em Mato Grosso, administrando uma indústria frigorífica ou planejando exportações de café.
Mas as atribuições desse colegiado dizem muito.
Sua jurisdição alcança tarifas, administração aduaneira, práticas de importação, medidas antidumping e compensatórias, acordos comerciais bilaterais e multilaterais, barreiras tarifárias e não tarifárias, acesso a mercados, relações comerciais bilaterais e a supervisão de estruturas ligadas à política comercial norte-americana.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo : siga o Canal Rural no Google News! Em outras palavras: temas orçamentários, capazes de alterar competitividade, acesso a mercado e planejamento de cadeias inteiras do agro brasileiro passam por esse ambiente.
Isso ajuda a entender por que acompanhar Washington DC exige muito mais do que observar decisões presidenciais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.canalrural.com.br — o conteúdo pertence a Canal Rural.