Lula atirou Toffoli aos leões em ato de campanha
No ato de lançamento de sua campanha à reeleição , no último domingo (16/8), Lula abordou um tema que estava fora do script produzido por sua equipe de comunicação.
Esse improviso chamou a atenção por não ter ligação direta com a disputa eleitoral em curso e por envolver um antigo aliado: o ministro Dias Toffoli , do Supremo Tribunal Federal (STF).
O petista citou um episódio com o magistrado para ilustrar momentos de sua própria trajetória sindical.
Até esse ponto, nada muito diferente do que Lula está acostumado a fazer.
Porém, o gesto, tratado por parte da imprensa como “alfinetada”, “desabafo” e “mágoa”, foi interpretado nos mundos político e jurídico como uma sinalização clara de que o presidente não será obstáculo a um eventual impeachment de Toffoli a partir do ano que vem , quando um novo desenho do Senado estará em vigor.
O ministro acumula dezenas de pedidos de afastamento protocolados na Casa, impulsionados, principalmente, por contestações ligadas ao escândalo do Banco Master .
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No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro da minha mãe.
Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei não permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro do meu irmão Vavá.
Numa demonstração de que os homens não são medidos por épocas, os homens são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço”, disse Lula, em cima do palco montado pela campanha no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).
Na análise de um profundo conhecedor do presidente, Lula jamais falaria algo tão sério sem medir as consequências, ainda mais utilizando a palavra “caráter”.
Haveria um cálculo político sofisticado que passa pela tentativa do petista de se reposicionar como candidato “antissistema”, ou seja, sem vínculo ou “rabo preso” com o STF, instituição que ocupa papel de destaque no imaginário do eleitorado “independente” ou “liberal” e tem vários inimigos.
Ou seja, a mensagem seria “mesmo um ministro indicado por mim, não conta com a minha proteção” .
Para além dos supostos cálculos eleitorais, em termos práticos, o efeito imediato da citação é deixar claro que Lula “jogou Toffoli aos leões””, nas palavras de um petista que transita no mundo jurídico.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.