O desafio de conciliar transição energética e proteção do oceano
No dia 8 de junho foi celebrado o Dia Mundial do Oceano, cuja edição de 2026 adotou o tema “Reimaginar: para além do mundo que conhecemos, uma nova relação com o nosso oceano”.
A mensagem proposta pelas Nações Unidas ( ONU ) é clara: o oceano não pode mais ser visto apenas como uma fonte inesgotável de recursos econômicos, mas como um patrimônio comum da humanidade, cuja gestão exige responsabilidade intergeracional e cooperação internacional.
Essa reflexão ganha ainda mais relevância diante da crescente corrida global por minerais críticos.
Impulsionada pela eletrificação da economia e pelos compromissos de descarbonização assumidos por governos e empresas, a busca por níquel, cobalto, manganês e terras raras tornou-se estratégica para a competitividade industrial e para a segurança econômica dos Estados.
Nesse cenário, a mineração em águas profundas emerge como uma das fronteiras mais promissoras — e controversas — da economia do século 21.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas A demanda por esses minerais está diretamente ligada a setores considerados essenciais, como defesa, tecnologia e energia.
No campo energético, em especial, a expansão das fontes renováveis depende de cadeias produtivas intensivas nesses insumos.
Turbinas eólicas offshore, baterias para armazenamento de energia, veículos elétricos, cabos submarinos e sistemas de transmissão exigem volumes cada vez maiores de matérias-primas minerais.
Em outras palavras, a mesma transição energética frequentemente apresentada como caminho para um futuro mais sustentável também amplia a pressão sobre novas fronteiras de extração.
É justamente nesse ponto que surge um dos principais dilemas do debate.
A busca por soluções para reduzir emissões de carbono e acelerar a economia verde pode, paradoxalmente, incentivar atividades cujos impactos ambientais ainda são pouco compreendidos.
Os ecossistemas do oceano profundo permanecem entre os menos estudados do planeta, e persistem incertezas científicas significativas sobre os efeitos da remoção de nódulos polimetálicos, da dispersão de sedimentos e das alterações na biodiversidade marinha.
Os potenciais impactos ambientais podem ser irreversíveis e ultrapassar fronteiras nacionais.
As incertezas, contudo, não se restringem ao campo ambiental.
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