Recessão a caminho? O que fazer com seu dinheiro se o temor do mercado se confirmar
Juros restritivos, inadimplência em alta e inflação ainda acima da meta são fatores que o investidor brasileiro já prevê há algum tempo para 2027.
Agora, o mercado também passou a olhar com preocupação para a atividade econômica, com agentes citando o risco de uma recessão no próximo ano .
O mercado financeiro cortou pela quarta semana consecutiva a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2027, segundo o Boletim Focus publicado na última segunda-feira (17).
No mesmo dia, o Banco Central divulgou que a prévia do PIB, o IBC-Br, fechou o segundo trimestre com expansão de apenas 0,2%, ante 1,2% no primeiro.
Se a economia desacelerar mais do que o previsto, o que fazer com o dinheiro? Para especialistas consultados pelo InfoMoney , a resposta está principalmente na renda fixa, mas passa por uma mudança de perfil dentro dela, com menos peso nos títulos que acompanham a Selic e mais espaço para prefixados curtos e papéis atrelados à inflação de prazo intermediário.
Antes disso, é preciso entender por que uma recessão não derruba todos os juros ao mesmo tempo.
Leia também: Recessão vem aí? Veja se é hora de aproveitar alta da Bolsa para sair Como o cenário afeta investimentos Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, avalia que uma forte desaceleração derrubaria os juros dos títulos de vencimento mais próximo, com prazos entre 2028 e 2029, “porque ali quem manda é o Copom”.
Nesses papéis, o que pesa é a decisão de política monetária.
De 2031 em diante, quem manda na formação dos preços é a trajetória da dívida pública, e aí o efeito se inverte.
Um PIB menor significa arrecadação menor e mais pressão por estímulo fiscal, o que tende a elevar os juros dos papéis mais longos.
“O dado ruim de atividade pode abrir a ponta longa (da curva de juros) em vez de fechar”, diz Trevisan, usando o jargão de mercado para juros em alta.
Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, também admite queda nos juros de prazo curto e intermediário, mas lembra que os papéis longos carregam risco fiscal, incerteza eleitoral e prêmio cambial, a proteção exigida pelo investidor contra a variação do dólar.
“Recessão ou desaceleração ajuda os juros, enquanto deterioração fiscal e eleitoral limita esse benefício”, afirma.
Em um cenário recessivo forte, pode haver queda adicional nos ativos de risco, principalmente na Bolsa e nos multimercados, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.