A batalha final entre Flávio e Lula na eleição que revelou um Brasil ainda mais à direita
O presidente Lula é conhecido pela persistência, disposição para o embate e capacidade de dar a volta por cima.
Antes de conquistar o Palácio do Planalto pela primeira vez, em 2002, ele perdeu três eleições seguidas (1989, 1994 e 1998).
Em meio século de vida pública, foi preso duas vezes — uma na ditadura militar, outra na democracia.
Quando sentenciado à cadeia pela Operação Lava-Jato, em abril de 2018, muitos decretaram o fim de sua carreira política.
Erraram no prognóstico.
Graças a uma reviravolta judicial, o petista recuperou a liberdade e conquistou seu terceiro mandato presidencial em 2022.
Essa história de altos e baixos, de sucessos e fracassos, foi colocada à prova mais uma vez após a conclusão da etapa inicial da eleição deste ano.
Otimista incorrigível, Lula sonhava em liquidar a fatura no primeiro turno, mas não conseguiu e ainda acabou superado por Flávio Bolsonaro por uma diferença de 2,26 milhões de votos.
No próximo dia 25, eles disputarão o segundo turno num país cada vez mais inclinado à direita, o que reforça o favoritismo do senador de oposição.
ESTRATÉGIA – O presidente: ele vai apostar as fichas principalmente na desconstrução da imagem do adversário Ricardo Stuckert/.
Após a apuração dos votos no último domingo, 4, a perspectiva de poder se moveu para o lado do Zero Um.
Ele fechou alianças com partidos do Centrão e da direita, recebeu o apoio de candidatos a presidente derrotados e contou com a torcida entusiasmada de representantes do mercado.
No dia seguinte ao primeiro turno, diante do sucesso de Flávio Bolsonaro nas urnas e da esperança de ele promover um ajuste fiscal, a Bolsa brasileira bateu recorde, enquanto o dólar e os juros futuros despencaram.
“Está decretado o fim da era do PT”, declarou o filho mais velho de Jair Bolsonaro, o ex-presidente preso que é o grande vencedor desta eleição.
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