Pesquisa em MS testa limites do biodiesel para garantir diesel seguro
Uma pesquisa desenvolvida em Mato Grosso do Sul está avaliando como diferentes tipos e concentrações de biodiesel podem afetar a qualidade e a estabilidade do diesel utilizado no país.
O estudo testa o biocombustível produzido a partir de matérias-primas como soja, sebo bovino e algodão e misturas que vão de B10 a B30, e pode gerar dados que contribuam para identificar condições mais seguras de utilização e armazenamento.
O estudo está sendo desenvolvido em meio a um momento em que o Brasil amplia gradativamente a presença do biocombustível no diesel.
Atualmente, o combustível comercializado no país contém 15% de biodiesel e 85% de diesel mineral, mistura conhecida como B15.
Paralelamente, o governo federal já estabeleceu um plano de testes para avaliar percentuais maiores.
O Ministério de Minas e Energia publicou, em maio, o cronograma para testes de misturas de até 25% de biodiesel.
A primeira fase prevê a avaliação de teores acima dos atuais 15% até o B20.
Na segunda, os testes avançam até o B25, utilizando diferentes motores a diesel, inclusive modelos com mais de 30 anos.
É justamente o comportamento das misturas com concentrações maiores de biodiesel que está entre os pontos investigados no projeto "Estudo da Estabilidade de Misturas de Biodiesel e Diesel Mineral para Estabelecimento de Critérios de Qualidade de Blends BX Seguras em Motores Diesel".
A pesquisa é desenvolvida por Fabiana Pereira de Sousa, que realiza estágio pós-doutoral no Instituto de Química da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
O projeto foi financiado pela Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), com bolsa de pesquisa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a universidade como instituição executora.
Segundo a pesquisadora, à medida que aumenta a quantidade de biodiesel também existem relatos de problemas como formação de resíduos e entupimento de filtros.
Isso não significa, porém, que a pesquisa seja contrária ao avanço do biocombustível.
O objetivo é justamente produzir informações que permitam que esse aumento ocorra com segurança.
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