Surto de sarampo reforça necessidade de investir em saúde antes da doença
O retorno do sarampo ao noticiário brasileiro é mais do que um alerta epidemiológico.
É uma oportunidade para refletirmos sobre uma questão que deveria estar no centro das políticas de saúde: quanto estamos dispostos a investir para evitar que as pessoas adoeçam? O Brasil voltou a registrar casos de sarampo em 2026, em um momento em que o país ainda preserva a certificação de eliminação da circulação endêmica da doença.
O alerta é maior em São Paulo, diante do registro de casos na capital e em municípios como Guarulhos e São Bernardo do Campo.
O sarampo está entre as doenças infecciosas mais transmissíveis do mundo e, por isso, conter a propagação do vírus exige respostas rápidas, com medidas de vigilância epidemiológica e reforço da vacinação.
A recomendação do Ministério da Saúde de intensificar a vacinação de pessoas entre 6 meses e 59 anos nos municípios com surto ativo segue essa lógica.
Esse tipo de ação é fundamental.
Mas o episódio também nos obriga a fazer uma pergunta: por que a doença voltou a preocupar? Parte da resposta está na queda da cobertura vacinal, associada ao crescimento do movimento antivacina, fenômeno que ultrapassa as fronteiras brasileiras.
Mas esse não é o único fator.
Há diferentes razões que levam famílias a não manter a carteira de vacinação dos filhos em dia, entre elas a disseminação de fake news, a politização do tema, especialmente nas redes sociais e aplicativos de mensagens, a vulnerabilidade social, as desigualdades regionais e dificuldades de acesso e logística.
Continua após a publicidade O cenário se torna ainda mais complexo quando olhamos para a comunicação.
As ferramentas utilizadas no passado para conscientizar a população sobre a importância da vacinação já não são suficientes para enfrentar os desafios atuais.
É preciso desenvolver estratégias mais consistentes e adequadas aos novos canais de informação, capazes de dialogar com diferentes públicos, combater a desinformação e reforçar, de maneira clara, a segurança e a importância das vacinas para a proteção individual e coletiva.
Portanto, o aprendizado vai além da vacinação.
O Brasil precisa compreender que cuidar da saúde significa agir antes que a doença chegue.
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