Por que a arqueologia marinha vive uma era de ouro na Europa
Há pouco menos de um mês, quando o mergulhador italiano Giacomo De Mola explorava as águas que banham a cidade de Mazara del Vallo, na Sicília, um sinal estranho piscou no sonar que levava consigo.
Curioso, ele desceu até 46 metros de profundidade para investigar — e avistou o que parecia ser apenas uma grande rocha coberta de algas.
Aproximou-se e então notou que não se tratava de uma mera rocha.
Eram ânforas romanas: centenas delas, ainda dispostas exatamente como haviam sido deixadas há mais de 2 000 anos.
De Mola tinha acabado de encontrar um cargueiro da Roma Antiga, datado entre os séculos II e I a.C., intacto sob o leito marinho havia dois milênios.
Ele alertou as autoridades, e mergulhadores da Unidade Subaquática dos Carabinieri de Messina confirmaram: é um navio de cerca de 21 metros de comprimento, carregado sobretudo de jarros de vinho e âncoras de chumbo.
“Uma das descobertas arqueológicas subaquáticas mais importantes dos últimos anos”, declarou na ocasião o ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli.
O achado siciliano não é golpe de sorte isolado.
Só em junho, dois cargueiros mercantes da Grécia Antiga e um bombardeiro britânico da II Guerra emergiram das águas da Calábria, no sul da Itália.
Na costa de Norfolk, na Inglaterra, um navio de guerra real do século XVII, o HSM Gloucester, veio à tona depois de mais de três séculos submerso.
Foi o achado mais importante do gênero no país desde 1982, quando se deu a descoberta do Mary Rose, nau de guerra da frota de Henrique VIII — datada , portanto, do século XVI.
Em Saint-Tropez, o cargueiro renascentista batizado Camarat 4 foi mapeado recentemente a 2 567 metros — naufrágio mais profundo já registrado em águas francesas.
A arqueologia marinha vive, em suma, uma verdadeira era de ouro.
E por trás dessa onda de descobertas está uma aliada inesperada: a transição energética.
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