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O tempo de chegar também entra na conta do trabalho

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O tempo de chegar também entra na conta do trabalho

Mobilidade molda acesso a oportunidades, valor do salário e produtividade. Os novos dados do Censo ajudam a olhar para a cidade por esse ângulo.

Para muita gente, a relação com o trabalho começa antes do expediente. Ela começa quando a pessoa calcula a hora de sair, confere o trânsito, escolhe a rota que cabe no bolso e tenta prever se vai chegar no horário. Quando o trajeto é longo, cada imprevisto ganha outro peso. Uma chuva, uma linha suspensa, um ônibus cheio, uma conexão perdida.

Essa rotina costuma aparecer como detalhe de transporte. Só que ela interfere no valor que sobra do salário, na energia disponível para estudar, no tempo de cuidado com a família e na possibilidade de aceitar uma oportunidade. Mobilidade tem impacto na economia da casa e também na economia da cidade.

Os dados mais recentes do Censo 2022 ajudam a dar escala a essa conversa. Segundo o IBGE, 9,3 milhões de pessoas trabalham em município diferente daquele onde moram. Desse grupo, 7,9 milhões fazem esse deslocamento ao menos três vezes por semana. Há ainda cerca de 1,3 milhão de trabalhadores que levam mais de duas horas para chegar ao local de trabalho. Quase 700 mil estão no Sudeste.

Um trajeto acima de duas horas não é apenas uma estatística de mobilidade. Ele organiza o dia inteiro. Afeta o horário do sono, a escolha de cursos, a convivência em casa e até a margem para procurar uma vaga melhor. Quem vive essa rotina conhece o esforço de manter o trabalho, mas também conhece as oportunidades que deixam de caber no horário.

O mesmo Censo mostra diferenças importantes no modo de se mover. O automóvel foi o principal meio de transporte de 32,3% das pessoas que trabalham fora de casa. O ônibus aparece em seguida, com 21,4%. Trem e metrô somam 1,6% como principal meio de transporte no cenário nacional. Entre a população branca, 42,9% usam automóvel. Entre a população preta, o ônibus é mais frequente, com 29,5%.

Esses números não explicam a vida de cada pessoa, mas revelam que o acesso à cidade acontece de maneiras muito diferentes. A experiência de quem consegue ajustar a rota ao próprio carro não se parece com a de quem depende de conexões, frequência e lotação do transporte coletivo. Também não se parece com a de quem caminha longos trechos porque o ponto, a estação, o trabalho ou o serviço ficam longe demais.

Por isso, quando falamos de desenvolvimento econômico, vale incluir uma pergunta que costuma ficar fora das planilhas: quanto custa chegar?

Essa conta é relevante para quem trabalha, para quem emprega e para quem planeja a cidade. Uma empresa pode oferecer uma vaga com salário competitivo e ainda assim não alcançar bons profissionais se o horário, a localização e o percurso tornarem a rotina inviável. Um curso pode ser gratuito e continuar distante para quem precisa atravessar a cidade depois de um dia inteiro de trabalho. Um comércio local pode ter clientes próximos, mas perder venda porque a circulação naquela região é ruim ou insegura.

O endereço de quem trabalha pode ampliar a qualidade da decisão.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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