China quer ferramentas próprias de edição genética com auxílio de IA
Com o desenvolvimento da CasY7, cientistas preferem evitar uma disputa bilionária pela patente do CRISPR-Cas9 nos EUA
Em um laboratório em Changzhou, uma cidade industrial no leste da China, pesquisadores da startup de agrotecnologia Wimi Biotechnology Co. Ltd. estão fazendo algo que parece simples demais: eles “cortam” um único trecho de DNA do milho, deixam a planta se reparar e esperam para ver qual nova característica surge –maior produtividade, caule mais curto, menos água no grão.
A ferramenta que faz o corte não é a famosa enzima CRISPR-Cas9 que rendeu aos seus descobridores o Prêmio Nobel em 2020. É a CasY7, uma proteína que os próprios cientistas da Wimi Biotech desenvolveram, em parte porque Cas9 vem com uma complicação legal que eles preferem evitar.
Essa complicação reside em uma disputa de patentes que se arrasta nos tribunais dos Estados Unidos há mais de uma década. As patentes fundamentais da Cas9 pertencem a uma equipe do MIT e do Broad Institute de Harvard, e não aos laureados com o Prêmio Nobel, cujo grupo liderado pela Universidade da Califórnia, Berkeley, está mais intimamente associado à descoberta. Uma decisão de 2022 de um tribunal de apelações dos EUA confirmou a reivindicação do Broad Institute –uma decisão que pode render bilhões em receitas de licenciamento– antes que um tribunal federal de apelações colocasse a disputa novamente em suspenso em maio de 2025.
Para os cientistas chineses que se dedicam à pesquisa pura, a disputa de patentes é, em grande parte, ruído. Mas para as empresas que tentam comercializar culturas geneticamente modificadas, usar a Cas9 sem licença é um problema iminente –mais um motivo pelo qual a edição genética se tornou um estudo de caso sobre por que a China deseja ter sua própria propriedade intelectual biotecnológica essencial, e não apenas acesso à de terceiros.
Pelo menos 3 empresas chinesas –Shandong Shunfeng Biotechnology Co. Ltd., Beijing Qi Biodesign Biotechnology Co. Ltd. e Wimi Biotech– desenvolveram enzimas de edição próprias em vez de licenciar a Cas9.
A Shunfeng desenvolveu o Cas-SF01 e o Cas-SF02, variantes otimizadas das famílias de proteínas Cas12i e Cas12o, e já licenciou a tecnologia no exterior –para empresas de sementes nos Estados Unidos, Alemanha, Brasil e Índia, de acordo com comunicados públicos da empresa. A Qi Biodesign, cofundada pelo pesquisador da Academia Chinesa de Ciências, Gao Caixia –cujo artigo de 2013 foi o 1º a demonstrar a edição de Cas9 em plantas– foi além. Ela desenvolveu o TranC, um sistema de nuclease compacto que antecede o Cas9 moderno, e o QBEmax, uma ferramenta de edição de bases construída a partir da reestruturação completa da arquitetura da proteína Cas9.
A CasY7 da Wimi Biotech tem a história de origem mais incomum. É uma variante da Cas12i desenvolvida por Lu Yuming, professor da Universidade Jiao Tong de Xangai e cofundador da Wimi Biotech.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.poder360.com.br — o conteúdo pertence a Poder360.