Justiça dos EUA volta a acusar Meta de projetar Facebook e Instagram para viciar menores nas redes
Menos de um mês depois de voltar ao banco dos réus, a Meta enfrentará a partir desta quarta-feira (12), em um tribunal federal da Califórnia, o processo mais ambicioso já movido nos Estados Unidos contra suas redes sociais. Impulsionada pelas revelações dos "Facebook Files", a ação sustenta que Facebook e Instagram foram concebidos para manter adolescentes conectados pelo maior tempo possível.
Baseada nas revelações conhecidas como "Facebook Files", a ação pode representar uma ameaça sem precedentes para a empresa: procuradores estaduais pedem penalidades que chegam a US$ 1,4 trilhão, valor próximo ao da capitalização de mercado do grupo.
O caso será analisado por um tribunal federal em Oakland, na Califórnia, um fato inédito para a controladora de Facebook e Instagram . A etapa inicial consiste na seleção dos jurados, enquanto os debates propriamente ditos estão programados para começar em 18 de agosto e devem se estender por cerca de seis semanas, até o fim de setembro.
Embora o júri participe da análise das acusações, a palavra final sobre eventuais punições caberá à juíza Yvonne Gonzalez Rogers, responsável por definir possíveis multas e medidas corretivas caso a empresa seja considerada responsável.
O julgamento é conduzido por procuradores-gerais dos estados da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey. Eles sustentam que a Meta desenvolveu recursos específicos para manter adolescentes conectados por períodos cada vez mais longos, mesmo conhecendo os riscos associados ao uso intenso de suas plataformas.
O depoimento de Mark Zuckerberg é um dos momentos mais aguardados do processo. O fundador da empresa deverá ser chamado a explicar decisões tomadas ao longo dos anos em relação ao funcionamento das redes sociais controladas pelo grupo.
O caso ocorre em meio a uma crescente pressão política, regulatória e judicial sobre as grandes plataformas digitais, especialmente no que diz respeito à proteção de menores de idade.
A origem do processo remonta a uma série de investigações abertas após as revelações feitas por Frances Haugen, ex-funcionária da empresa. Em 2021, ela divulgou milhares de documentos internos que ficaram conhecidos como "Facebook Files". O material expôs discussões realizadas dentro da companhia sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental de adolescentes e jovens usuários.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.