Governo interino da Venezuela anuncia retomada de serviços consulares com Israel; movimentos protestam
O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela informou nesta terça-feira (11/08) que concordou com o governo de Israel em “permitir a continuidade da cooperação técnica bilateral decorrente dos esforços de emergência e recuperação após os terremotos”, assim como “facilitar a prestação de serviços consulares” a cidadãos de ambos os países.
No comunicado divulgado, a chancelaria venezuelana afirma que as conversas começaram após o duplo terremoto do dia 24 de junho, quando o Estado de Israel prestou “apoio humanitário” ao país , no socorro às vítimas. As relações diplomáticas entre Caracas e Tel Aviv estão rompidas desde 2009.
“Além disso, os dois países concordam em estabelecer um mecanismo de coordenação para facilitar a prestação de serviços consulares aos seus respectivos cidadãos residentes no outro país, conforme necessário”, afirma a Chancelaria venezuelana em nota, destacando “a importância do vínculo entre o Estado de Israel e a comunidade judaica residente na Venezuela, que constitui uma ponte significativa de amizade histórica entre as duas nações”.
Movimentos populares venezuelanos consideram a medida um retrocesso e associam o movimento às interferências estadunidenses desde os ataques de 3 de janeiro deste ano, que culminaram com o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da primeira-dama e deputada, Cilia Flores .
No último domingo (09/08), o chanceler venezuelano, Félix Plasencia, recebeu o rabino Isaac Cohen, presidente da Associação Judaica Venezuelana, que entregou ao ministro uma carta na qual a comunidade israelita solicitava o restabelecimento das relações diplomáticas e consulares entre a Venezuela e Israel.
A Venezuela rompeu relações diplomáticas com Israel em 2009, no governo do então presidente Hugo Chávez , em resposta a operações militares do regime sionista no território palestino ocupado . “Maldito seja o Estado de Israel. Maldito seja, terrorista e assassino”, declarou Chávez à época.
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Em reação, o Movimento Venezuelano de Solidariedade com a Palestina Al Awda divulgou uma nota na tarde desta terça-feira na qual “rejeita categórica e contundentemente” qualquer tentativa de restabelecer relações diplomáticas entre a Venezuela e o Estado de Israel.
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