Valter Pomar defende organização popular permanente
A mobilização das campanhas eleitorais precisa se transformar em organização popular permanente.
Essa foi uma das principais defesas de Valter Pomar, professor da Universidade Federal do ABC e diretor de cooperação internacional da Fundação Perseu Abramo, durante debate no Centro Cultural Esperança Vermelha, em Campinas, na terça-feira (27).
O encontro contou com a participação da vereadora Guida Calixto (PT).
Ao analisar a participação da militância no segundo turno, Pomar criticou interpretações que concentram o resultado eleitoral na atuação de uma única personalidade.
Para ele, o balanço precisa reconhecer o esforço coletivo de quem participou da campanha.
“Essa vitória foi construída por dezenas de milhões de pessoas que a gente não sabe o nome, não sabe o sobrenome, não sabe o CPF, mas se jogaram para fazer campanha”, afirmou.
O dirigente destacou o envolvimento de trabalhadores, mulheres, população negra, jovens e idosos.
Segundo ele, reconhecer essa contribuição fortalece a capacidade de atuação política da população também depois das eleições.
Entregas e indicadores não bastam Pomar questionou a ideia de que a comparação entre governos e a divulgação de indicadores econômicos seriam suficientes para conquistar apoio eleitoral.
Na avaliação dele, as realizações da gestão precisam ser acompanhadas de diálogo e disputa política.
“Os indicadores econômicos, eles não se traduzem em opinião política”, disse, ao argumentar que a percepção da população também é influenciada por autoridades locais, veículos de comunicação e plataformas digitais.
Ao relatar conversas durante a campanha, o professor apontou diferenças entre o pessimismo de parte dos dirigentes e a confiança que encontrava entre trabalhadores.
Para ele, esse contraste revela o distanciamento de algumas lideranças em relação ao cotidiano da população.
“Se você não tem contato, se você não pega ônibus, você não percebe o que está acontecendo”, afirmou.
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