Forma rara de câncer se espalhou para gêmeos ainda no útero; entenda caso
Duas irmãs gêmeas morreram pouco depois do nascimento em decorrência de um tipo raro de câncer que se desenvolveu durante a gestação e passou de uma para a outra ainda no útero.
A investigação do caso revelou que células cancerígenas de uma das bebês chegaram à outra provavelmente por meio dos vasos sanguíneos compartilhados pela placenta.
O caso de Amelia e Amaya foi investigado por pesquisadores da Inglaterra, que analisaram o material genético das irmãs para identificar a origem dos tumores e reconstruir a sequência de acontecimentos durante a gestação.
Os resultados encontrados foram descritos em um artigo publicado no dia 6 de outubro na revista Nature Communications.
“Foi uma coisa incrivelmente terrível de acontecer, mas a mãe delas deixou bem claro que tínhamos que aprender algo com isso e fez essa doação incrível para a ciência”, lembra Sam Behjati, professor da Universidade de Cambridge e autor correspondente do estudo, em entrevista ao portal NewScientist.
“Isso nos permitiu dar uma pequena resposta sobre o que aconteceu com esses bebês, além de obter uma compreensão fundamental sobre a gestação de gêmeos.” Alteração genética desencadeou tumores As gêmeas nasceram por cesariana, com 34 semanas de gestação, depois que exames de imagem identificaram uma massa no rosto de uma delas.
Após o parto, os médicos constataram que as duas apresentavam tumores em diferentes partes do corpo.
As irmãs morreram pouco tempo depois.
“Ter câncer ao nascer é extremamente raro”, destaca Behjati.
Diante da gravidade do caso, os pesquisadores buscaram esclarecer uma questão central: a doença teria surgido de forma independente nas duas irmãs ou começado em uma delas antes de atingir a outra? Uma das hipóteses iniciais era que as bebês compartilhassem uma alteração genética hereditária que aumentasse a predisposição ao câncer.
Outra possibilidade era que um tumor tivesse se desenvolvido primeiro em uma das meninas e, posteriormente, suas células alcançassem a irmã durante a gestação.
Para investigar a origem da doença, os cientistas realizaram o sequenciamento completo do genoma de 45 amostras de células retiradas dos órgãos, da placenta e dos tumores das irmãs após a morte delas.
Ao comparar o material coletado, foi possível identificar alterações que surgiram durante o desenvolvimento das bebês e distinguir as células tumorais de cada uma.
Essa análise ainda apontou que o câncer começou após uma fusão anormal entre dois genes, chamados MN1 e ZNF341, na irmã identificada pelo estudo como gêmea A.
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