“Não coloque seu coração no poder”, diz Mendonça em seminário
Relator dos casos do Master e do INSS, ministro do STF falou em evento da Associação Nacional dos Magistrados Evangélicos (Anamel)
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Relator dos dois maiores casos de corrupção do momento, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça (foto) falou sobre a “Justiça servidora” em seminário Associação Nacional dos Magistrados Evangélicos ( Anamel ), realizado na sexta-feira, 21.
Mendonça propôs uma reflexão sobre a vocação, a humildade e o compromisso ético dos operadores do direito. Falou sobre o tripé da Revolução Francesa (liberdade, igualdade e fraternidade), para destacar que a fraternidade é o eixo central de toda a conduta humana.
Tudo isso sob a perspectiva religiosa, como costuma fazer o ministro “terrivelmente evangélico” indicado por Jair Bolsonaro ao STF. Mendonça mencionou a alcunha, aliás, para dizer que optou por um período sabático das atividades eclesiásticas em seus primeiros três anos de STF.
Relator dos casos do Banco Master e do escândalo do INSS , que se desmembrou em inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva , o Lulinha , o ministro deu sua primeira entrevista exclusiva após cinco anos de STF, em podcast de seu próprio instituto, e tem sido tratado como um contraponto a outros colegas de tribunal, inclusive internamente.
O caso do Master pode atingir ministro do STF, já que ainda está mal explicado o contrato de 129 milhões de reais firmado pelo banco com o escritório de advocacia da mulher de Alexandre de Moraes , e Dias Toffoli relatou por meses o caso até se declarar suspeito, por ser sócio de empresa que fez negócios com Daniel Vorcaro no resort Tayayá.
Nesse contexto, tudo o que Mendonça diz publicamente passa a ser interpretado como mensagens ou recados. Na entrevista que concedeu ao podcast, ele falou que “há pontos de atenção” nos casos Master e do INSS, sobre o “devido funcionamento das instituições e que cabe a mim, como supervisor e relator das investigações, estar atento” .
No seminário da sexta-feira, Mendonça falou em “amar a justiça acima de todas as coisas e a justiça do próximo como se fosse a sua própria” , e, usando o próprio exemplo de vida, recomendou aos estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie , onde o seminário ocorreu, que não se guiem por poder ou dinheiro:
“Na essência, eu quero dizer para vocês: não coloque seu coração no poder, não coloque seu coração no dinheiro, porque você vai se frustrar. Se esse for o propósito, ouçam a experiência de quem poderia dizer ‘cheguei ao ápice do poder na Justiça’. Você vai se frustrar. Eu convivo com outros colegas e conversamos com alguns colegas mais abertamente, e tenham certeza de que o ônus e a responsabilidade é muito maior do que qualquer outra coisa, que nós continuamos tendo os mesmos problemas, entre aspas. Não somos diferentes, não deixamos de ser humanos e temos muitas das vezes uma sobrecarga desumana. Por isso, eu disse, no início: jovens, queiram servir à justiça no Judiciário, no Ministério Público, na Defensoria, nas Procuradorias, na advocacia. Queiram.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.