Moody’s vê corte de gastos sob Flávio Bolsonaro, mas aponta falta de detalhes e riscos no Congresso
A agência de classificação de risco Moody’s avalia que um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) tenderia a promover cortes expressivos de despesas e a intensificar o esforço para reduzir a dívida pública.
A própria agência ressalva, porém, que o candidato não detalhou como faria isso e que a construção de consenso no Congresso será um desafio político significativo (avaliação existente mesmo com a configuração mais à direita no Parlamento a partir de 2027).
A análise consta em relatório divulgado nesta terça-feira (7/10), dois dias após o primeiro turno.
A Moody’s diz esperar um resultado apertado no segundo turno, com reflexos na confiança dos investidores e no desempenho fiscal e macroeconômico do país.
Regra fiscal Segundo o documento, um governo Flávio substituiria o atual arcabouço fiscal por uma regra voltada à redução da dívida e buscaria superávits primários para estabilizar e, depois, reduzir a relação entre dívida e PIB.
A agência afirma que faltam detalhes sobre como seriam implementados cortes que considera politicamente difíceis.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Já Lula , em um eventual segundo mandato, manteria em linhas gerais o arcabouço atual.
Buscaria melhorar as contas por meio de mais crescimento, medidas de receita e maior eficiência do gasto, o que levaria apenas a uma redução gradual do déficit.
Orçamento engessado O principal obstáculo, segundo a Moody’s, é a rigidez do Orçamento.
Mais de 90% das despesas federais são obrigatórias, e qualquer reforma relevante dependeria do Congresso.
Cortar mandatos de gasto por emenda constitucional exige, em geral, o voto de três quintos dos parlamentares.
O Legislativo eleito no domingo continua fragmentado e polarizado, de acordo com o relatório.
O PL ampliou a bancada de 16 para 28 senadores e de 98 para 121 deputados, mas partidos de centro e centro-direita seguem com peso decisivo nas duas Casas.
Sem apoio parlamentar, diz a agência, o próximo governo teria capacidade limitada de reduzir gastos.
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