A terra arrasada que a rejeição à família Bolsonaro e a Lula vai deixar para 2030
A calcificação do embate político brasileiro entre lulismo e bolsonarismo nas últimas eleições e a rejeição a um ou outro lado como motivação cada vez maior para as escolhas dos eleitores nas urnas são elementos que, combinados, turvam bastante o horizonte para o próximo pleito nacional, em 2030.
Em uma corrida marcada mais que tudo por essa polarização e por uma batalha de rejeições, Lula se elegeu presidente pela quarta vez.
Para além de ter declarado que esta foi sua última eleição, o petista está, de todo modo, proibido de buscar um terceiro mandato seguido.
O Zero Um, por sua vez, concorreu sob a promessa de exercer apenas um período.
Apresentou, durante a campanha, uma proposta para proibir a reeleição à Presidência da República que, segundo ele, incluiria seu pai, Jair Bolsonaro , e todos os seus familiares até o segundo grau de parentesco.
Além do mais, negou que o chefe do clã familiar quisesse voltar a disputar a eleição presidencial , ainda que sempre tenha dito que conseguiria a anistia do patriarca para anular sua condenação por tentativa de golpe de Estado e a pena de 27 anos e três meses de prisão, garantindo sua liberdade.
Se as promessas forem cumpridas, surge a perspectiva de uma eleição presidencial em 2030 sem Lula nem o sobrenome Bolsonaro na urna, ainda que muito possa mudar até lá.
O cientista político Carlos Ranulfo , da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), chama a atenção para a incerteza que se abre no futuro da esquerda com a ausência de uma sucessão política clara ao atual presidente dentro do PT.
Lula representou o partido nas eleições de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2022 e 2026.
Continua após a publicidade Os ex-ministros Fernando Haddad e Camilo Santana e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles , são vistos como quadros de destaque na legenda, com os dois últimos assumindo grande protagonismo na campanha de Lula no segundo turno, mas isso não significa que, com o maior líder petista saindo de cena, a disputa para sucedê-lo se restrinja a esses nomes.
No outro lado do espectro ideológico, Ranulfo espera uma contraofensiva do Centrão e da direita moderada depois da avalanche bolsonarista no pleito deste ano que conferiu ao PL, a partir do ano que vem, 28 cadeiras no Senado e 121 na Câmara dos Deputados, as maiores bancadas das duas Casas.
Continua após a publicidade Segundo o cientista político da UFMG, os partidos de centro-direita já perceberam que serão “engolidos” pelo bolsonarismo se não se movimentarem para recuperar o espaço político perdido.
“O bolsonarismo está crescendo para cima da antiga direita brasileira.
Não acho que essa direita vai assistir a isso sentada, de braços cruzados”, avalia.
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