Juiz solta enteado de empresário preso com pistola dentro de clínica
O juiz Pedro Henrique Freitas de Paula concedeu liberdade provisória nesta quarta-feira (19) a Lucas Soto Silveira, de 30 anos, preso com uma pistola 9 milímetros e 36 munições durante a Operação Cura Terapêutica, na Clínica Vila Bethânia, em Glória de Dourados, município situado a 282 quilômetros de Campo Grande.
Conforme os autos obtidos pela reportagem, o magistrado concluiu que não havia motivo para mantê-lo preso e impôs medidas que incluem recolhimento domiciliar à noite e nos dias de folga.
Lucas é enteado do empresário Fábio Garcia do Amaral, de 45 anos, dono da clínica e principal alvo da investigação.
Ele dormia em um dos quartos da Vila Bethânia quando os agentes encontraram a arma e as munições na manhã de terça (18).
Em depoimento, o estudante afirmou que a pistola pertence ao padrasto e que a guardou a pedido dele.
Na decisão, o magistrado destacou que o caso não envolveu violência, que Lucas não possui condenações anteriores e tem endereço certo.
O Ministério Público também havia se manifestado favoravelmente à liberdade mediante o cumprimento de condições.
O juiz escreveu: “No caso dos autos, trata-se de crime sem violência ou grave ameaça, o flagrado é primário e possui endereço certo de modo a não haver periculosidade, tampouco risco à ordem pública ou de reiteração delitiva, como inclusive se manifestou o Ministério Público.” O juiz também considerou regular a prisão feita durante as buscas, mas entendeu que manter Lucas detido seria uma medida desnecessária.
A avaliação levou em conta as circunstâncias da apreensão e a possibilidade de aplicação de restrições fora da cadeia.
Na sequência, justificou: “O cárcere deve ser reservado a situações específicas e necessárias e, no caso em apreço, dadas as circunstâncias acima apontadas, entendo que não se justifica a manutenção do decreto constritivo, posto que as medidas cautelares diversas da prisão se mostram suficientes para garantia da ordem pública e para assegurar a instrução processual.” Lucas terá de comparecer aos atos do processo e não poderá mudar de endereço sem comunicar a Justiça.
Ele também deverá permanecer em casa durante a noite e nos dias de folga.
O juiz determinou a expedição do alvará de soltura.
A situação dos outros dois presos durante a operação ainda não foi definida.
O caso de Fábio Garcia do Amaral e do gerente da clínica, Marcos Pereira de Matos, de 48 anos, foi transferido para a comarca de Dourados.
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