Descoberta de petróleo na Amazônia dá impulso a Lula, mas resultados não são garantidos
RIO DE JANEIRO, 21 Ago (Reuters) - A descoberta de petróleo em um poço exploratório na costa da Amazônia na semana passada deu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um novo impulso para sua campanha de reeleição, ajudando-o a reforçar suas credenciais pró-desenvolvimento em uma região que pode se mostrar crucial para a eleição de um Senado favorável.
“Isso aqui... pode se chamar de passaporte para o futuro deste país”, disse Lula no início desta semana, enquanto segurava um pequeno frasco de petróleo durante uma visita à região.
No entanto, mesmo que a descoberta venha a se confirmar como comercial — o que ainda está longe de ser certo —, é improvável que a Petrobras inicie a produção antes de pelo menos sete anos, o que significa que quaisquer benefícios econômicos só chegarão muito depois do pico da demanda global por petróleo, que a Agência Internacional de Energia estima que será atingido por volta de 2030.
Ainda assim, a campanha de Lula acredita que a descoberta possa influenciar os eleitores do Amapá, Estado que deve colher os maiores ganhos com qualquer exploração de petróleo, disse uma pessoa da campanha à Reuters.
Embora o Estado tenha apenas 803 mil habitantes — um número pequeno em comparação com a população nacional de 213 milhões —, ele é a base política do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que tem uma relação difícil com Lula.
Depois de meses barrando projetos do governo no Congresso, Alcolumbre voltou a conversar com o presidente nas últimas semanas e destravou projetos importantes para Lula nesta campanha eleitoral, como o do fim da escala 6x1, de olho em um possível apoio para se manter como presidente do Senado no próximo mandato.
A mesma fonte da campanha acrescentou que já estão sendo produzidos materiais publicitários sobre a descoberta de petróleo.
Lula não perdeu tempo em comparar a descoberta de petróleo na Amazônia com o pré-sal, a grande descoberta brasileira da década de 2000, que foi divulgada durante o segundo mandato de Lula e transformou a Petrobras em uma das maiores produtoras de petróleo bruto do mundo.
Mas a Petrobras precisa perfurar pelo menos mais três poços para determinar se a produção de petróleo na região seria comercialmente viável, disse a presidente-executiva da estatal, Magda Chambriard.
Ela disse no ano passado que, se forem confirmadas grandes reservas, a Petrobras poderia iniciar a produção em até sete anos.
Ainda assim, a descoberta de petróleo gerou entusiasmo entre as autoridades locais, que já estão pensando em quais cidades poderiam abrigar instalações petrolíferas no Amapá, um Estado onde mais de 90% do território é coberto por floresta tropical intocada.
A Petrobras estuda a implantação de um centro de logística no Amapá, onde há planos para criar dois polos industriais e até mesmo construir uma ilha artificial para o atracamento de navios da indústria petrolífera, disse Wandenberg Pitaluga Filho, secretário de Desenvolvimento Econômico do Amapá.
Um boom petrolífero em torno do desenvolvimento esperado poderia começar em cerca de dois anos, assim que a Petrobras determinar se a produção de petróleo na região é economicamente viável, disse Telmo G
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