No deserto africano, um trem de minério pode se estender por cerca de 2,5 quilômetros e atravessar centenas de quilômetros de areia enquanto alguns passageiros fazem a viagem inteira sentados diretamente sobre vagões carregados de ferro
A ferrovia entre Zouérat e Nouadhibou transporta minério pelo Saara e também funciona como ligação vital para comunidades isoladas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No norte da Mauritânia, uma ferrovia construída para escoar minério atravessa centenas de quilômetros do Saara entre as minas de Zouérat e o porto de Nouadhibou. O chamado trem de minério da Mauritânia pode alcançar cerca de 2,5 quilômetros de comprimento e carregar mais de uma centena de vagões. Além da função industrial, ele também virou uma ligação essencial para comunidades isoladas ao longo da rota, embora viajar nos vagões abertos envolva poeira intensa, frio e riscos reais.
A ferrovia é operada pela mineradora estatal SNIM e liga a região mineral de Tiris Zemmour ao terminal de minério em Nouadhibou, na costa atlântica. O relatório anual de 2024 da empresa informa que a linha possui mais de 700 quilômetros e representa uma parte estratégica da cadeia de exportação de minério de ferro do país.
As composições transportam minério extraído nas proximidades de Zouérat até os navios que fazem a exportação. Dependendo da formação, o trem pode passar dos dois quilômetros de extensão. O órgão oficial de turismo mauritano cita composições próximas de 2,5 quilômetros, com cerca de 200 vagões e várias locomotivas.
A ferrovia atravessa uma região enorme e pouco povoada, onde alternativas de transporte terrestre são limitadas. Por isso, o trem passou a funcionar também como ligação entre localidades do deserto. Reportagem da Reuters registrou passageiros e trabalhadores utilizando os trens da SNIM, enquanto a Al Jazeera documentou moradores viajando nos vagões para visitar familiares e transportar mercadorias.
A experiência nos vagões de minério está muito distante de uma viagem convencional.
A National Geographic acompanhou uma dessas jornadas pelo Saara e mostra tanto a escala do trem quanto a experiência dos passageiros que utilizam a ferrovia.
Não existe um comprimento absolutamente fixo para todas as composições. A Reuters registrou trens de cerca de dois quilômetros, enquanto o turismo oficial mauritano e documentários sobre a ferrovia descrevem formações que chegam aproximadamente a 2,5 quilômetros. A National Geographic cita ainda composições próximas de 1,8 milha, ou cerca de 2,9 quilômetros.
Essa variação ocorre porque o número de vagões muda conforme a operação. Mesmo tomando a estimativa conservadora de 2,5 quilômetros, observar a composição inteira no deserto significa acompanhar uma sequência de vagões que pode desaparecer no horizonte antes que a locomotiva esteja próxima.
O ambiente é um dos elementos mais difíceis da travessia. Durante o deslocamento, vento e partículas de minério atingem diretamente quem permanece nos vagões descobertos. O próprio órgão de turismo da Mauritânia recomenda proteção contra o vento e, durante a estação mais fria, roupas quentes e saco de dormir para quem pretende realizar a travessia.
A diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas no deserto pode tornar uma jornada longa particularmente desconfortável. Relatos documentais também mostram que passageiros improvisam proteção com tecidos, cobertores e bagagens.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.