Dívida dos EUA ultrapassa os US$ 40 trilhões pela 1ª vez
Gastos com a pandemia e com defesa e cortes de impostos impulsionaram endividamento nos últimos anos
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela 1ª vez a marca dos US$ 40 trilhões, informou o Departamento do Tesouro na 4ª feira (19.ago.2026). A alta histórica foi impulsionada por gastos com defesa, com programas sociais e pelo custo crescente dos juros sobre o deficit federal.
O novo patamar de US$ 40,047 trilhões foi atingido só 5 meses depois que a dívida norte-americana registrou outro recorde, de US$ 39 trilhões, em março de 2026. Antes disso, a marca de US$ 38 trilhões havia sido superada em outubro de 2025, também com intervalo de 5 meses. Leia a íntegra do relatório do Tesouro (PDF – 344 KB).
Segundo a Associated Press , o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse que o governo do presidente Donald Trump (Partido Republicano) “tem se concentrado em cortar desperdícios, fraudes e abusos nos gastos federais, ao mesmo tempo que acelera o crescimento econômico para colocar a relação dívida/PIB dos Estados Unidos na direção certa.”
Especialistas ouvidos pela agência afirmam que o crescimento acelerado da dívida já produz efeitos concretos sobre os norte-americanos. Entre as consequências estão o encarecimento do crédito para financiamentos de imóveis e automóveis, a pressão sobre os salários em empresas com menos capital disponível para investimentos, e o aumento dos preços de bens e serviços.
O governo Trump ampliou gastos militares para sustentar a guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro. Mas a dívida vem se acumulando ao longo de sucessivas administrações.
Durante a pandemia de covid, os governos de Trump, em seu 1º mandato, e de Joe Biden (Partido Democrata) tomaram empréstimos para estabilizar a economia e financiar a recuperação.
Mais recentemente, novos gastos foram autorizados depois que Trump assinou a legislação republicana de cortes de impostos e aumento de despesas, aprovada no ano passado .
Margaret Spellings, presidente do Bipartisan Policy Center , afirmou que a dívida federal vem elevando o custo de vida e sufocando outros gastos e investimentos. “Nossa trajetória fiscal atual é claramente insustentável, e esse é o melhor cenário possível. A disrupção provocada pela inteligência artificial, uma recessão, uma guerra global ou qualquer outro evento pode rapidamente nos empurrar de um desafio para uma crise plena”, disse.
A situação fiscal dos EUA é apontada como a pior entre os países desenvolvidos, segundo uma análise recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
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