Gabrielli chama de ‘mito’ tese sobre dívida alta do país e defende mais gastos
José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da candidatura de Lula à reeleição, chamou de “mito” a tese de que existe um nível de endividamento público a partir do qual a economia necessariamente entra em declínio e voltou a defender o aumento dos gastos públicos.
As declarações foram feitas na quinta-feira, durante o Simpósio Nacional dos Conselhos de Economia, em um debate com Carlos Alexandre da Costa, responsável pela coordenação das medidas econômicas do plano de governo de Romeu Zema.
“Há um mito, e eu chamo isso mito teórico entre os economistas, de que há um determinado nível de razão dívida-PIB a partir do qual a economia começa a declinar”, afirmou Gabrielli.
O ex-presidente da Petrobras disse que a tese não encontra comprovação empírica e citou a controvérsia acadêmica em torno de estudos que associaram dívidas superiores a 90% do PIB a um desempenho econômico pior.
Gabrielli reconheceu que a dívida brasileira é elevada e precisa ser controlada, mas rejeitou a ideia de que o país caminhe para uma situação de insolvência.
“Não há risco de insolvência no Brasil.
A dívida é alta, nós temos que controlar a dívida, mas não tem nenhum precipício na frente”, disse.
Continua após a publicidade A dívida bruta do governo geral chegou a 81,9% do PIB em junho, o equivalente a 10,8 trilhões de reais.
Apenas no primeiro semestre, a relação avançou 3,3 pontos percentuais do PIB.
Gabrielli também defendeu que o Conselho Monetário Nacional volte a discutir a atual meta de inflação, fixada em 3%.
“Uma das formas que é necessária é fazer com que o Conselho Monetário Nacional avalie o significado dos 3% como meta inflacionária”, afirmou.
Ele não indicou qual deveria ser o novo patamar.
Continua após a publicidade Ao ser questionado sobre qual seria sua alternativa a um programa de maior contenção fiscal, Gabrielli defendeu preservar o crescimento das despesas e ampliar investimentos e programas sociais.
“Eu tenho que aumentar gasto sim, tenho que aumentar investimento, tenho que aumentar gastos sociais adequados, tenho que fazer programa correto, tenho que aumentar gasto sim, e reduzir outros”, afirmou.
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