Doença cardiovascular: sabemos como prevenir, falta aplicar o conhecimento
Transformar o conhecimento de doenças cardiovasculares em prevenção e cuidado ainda exige políticas públicas, financiamento e atuação coordenada entre médicos, gestores e sociedade
Principal causa de morte e um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, o que falta para que as doenças cardiovasculares sejam prioridade permanente das políticas públicas do país?
Segundo dados do Ministério da Saúde e do DATASUS, cerca de 400 mil brasileiros morrem a cada ano em decorrência de doenças cardiovasculares, o que significa 1 morte a cada 2 minutos. Esse cenário atinge diferentes classes sociais, com maior peso sobre os mais jovens, os mais idosos e as pessoas de menor escolaridade e renda.
É possível mudar isso? Acreditamos que sim. O caminho não está escondido. Sabemos quais são os principais fatores de risco, conhecemos medidas capazes de modificá-los e temos meios para prevenir uma parcela expressiva dos eventos cardiovasculares. A lacuna está na implementação prática desse conhecimento.
A sociedade urbana moderna trouxe consigo uma combinação que favorece o adoecimento: sedentarismo, alimentação calórica e forte carga estressora provocam respostas metabólicas no organismo. Essas respostas se traduzem nos famigerados fatores de risco cardiovasculares; entre os principais, temos obesidade, diabetes, hipertensão e dislipidemia.
O próprio estágio de desenvolvimento econômico do país ajuda a dimensionar essa transição. Hoje, o Brasil apresenta um perfil de economia intermediária em que 42% dos óbitos são causados por doenças cardiovasculares e 30% por câncer. Dados globais de mortalidade permitem estimar que, caso a economia brasileira evolua para o perfil de um país desenvolvido, a participação das doenças do coração nas mortes cairia para 23%, enquanto a do câncer subiria para 55%.
À primeira vista, pode parecer uma simples troca de uma causa de morte por outra. Mas há uma diferença fundamental nessa conta: as mortes cardiovasculares são, em grande parte, precoces. São mortes que não deveriam acontecer.
E existe uma segunda dimensão que precisa entrar nessa discussão. Para quem vive com uma doença cardiovascular ou com seus fatores de risco, viver mais é importante. Mas viver bem também é.
Os Anos de Vida Perdidos Ajustados por Incapacidade, os chamados DALYs, representam a soma dos anos perdidos por morte prematura e dos anos vividos com alguma incapacidade ou saúde inferior à ideal. Estimativas do estudo Global Burden of Disease de 2021 apontam que, no Brasil, a taxa é de 4.035,5 DALYs por 100 mil habitantes.
Para efeito de comparação, quando olhamos especificamente para a mortalidade prematura, entre adultos de 30 a 69 anos, a taxa de DALYs das doenças cardiovasculares é de 4.902 por 100 mil. Praticamente equivalente aos do câncer (4.620 por 100 mil habitantes), doença que costuma ser muito mais relacionada a desfechos de óbitos do que hipertensão ou colesterol alto.
Portanto, a saúde cardiovascular também é uma questão de preservar anos de vida com qualidade, autonomia e capacidade de viver plenamente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.