Saúde da mulher assume abordagem mais longitudinal e reforça interação entre biologia e contexto social – Pensando no Futuro
Maior participação de mulheres em estudos clínicos e busca por reduzir estigmas sobre menopausa marcam nova fase da ginecologia
Os desafios e as tendências que devem marcar o futuro da ginecologia foram tema de novo episódio do Pensando no Futuro, que contou com a participação de Sérgio Podgaec, ginecologista e vice-presidente do Einstein Hospital Israelita, Ana Paula Beck, ginecologista, obstetra e diretora clínica da organização e Helena Hachul, ginecologista especialista em saúde da mulher no hospital.
Essa reformulação do olhar para a saúde feminina é impulsionada não apenas pelos avanços científicos e tecnológicos, mas também sociais. Assim, busca-se compreender e cuidar de uma mulher cada vez mais presente no mercado de trabalho e no universo acadêmico, o que por vezes culmina em uma jornada tripla que impacta no autocuidado dessa parcela da população.
Segundo os especialistas, é possível observar na prática clínica uma “epidemia de exaustão”, e é preciso que médicos especialistas e generalistas perguntem sobre questões de sono e saúde mental. “É buscar entender o quanto dessa exaustão é falta de sono, questões no trabalho, fatores de qualidade de vida”, defende Podgaec. Segundo ele, a medicina passa pela busca do bem-estar e do estabelecimento de limites para eliminar os excessos.
“É importante entendermos essa interação do biológico com o contexto social”, pontua Hachul. “Porque, ao longo da vida, a gente vai mudando tanto do ponto de vista biológico, como das adaptações psicossociais. Isso faz com que tenhamos diferenças na qualidade de vida, nas questões hormonais, nos processos de saúde e doença, e tudo o mais.”
A inserção de mais mulheres nos estudos clínicos, que passou a ser exigida pela Food and Drugs Administration (FDA) apenas nos anos 1990, foi uma das principais viradas de chave na compreensão da saúde feminina. De lá para cá, muita coisa mudou, e a forma como o cuidado é estruturado para essa população também começa a ser reavaliada.
Hoje, a ciência já evidenciou, por exemplo, que diferenças no metabolismo feminino impactam a absorção de determinados medicamentos e que as variações hormonais podem influenciar a saúde do sono da mulher. Sabe-se também que processos que podem parecer desconectados em um primeiro momento são, na verdade, parte de um plano mais macro que exige uma interdisciplinaridade maior no cuidado dessa paciente.
Isso tem sido visto no campo da menopausa, que ganha uma discussão sob uma perspectiva mais ampla de saúde e qualidade de vida. A naturalização do tópico também permite que as mulheres identifiquem os sintomas de maneira mais precoce, além de incentivar também uma postura mais preventiva, no sentido de estar mais bem-informada e preparada para encarar essa fase da vida.
A perspectiva hoje é ofertar a essa paciente um cuidado mais integrado, que considera as mudanças como um todo e os recursos disponíveis e que fazem sentido para a realidade de cada mulher. “Transformações na saúde cardiovascular, no sono, ganho de peso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.