Milhões sem render um centavo: o curioso patrimônio em espécie dos candidatos
Em pleno 2026, quando uma transferência de milhões de reais pode ser feita em segundos pelo celular, chama a atenção um hábito aparentemente resistente à transformação tecnológica do sistema financeiro: guardar grandes quantias em dinheiro vivo.
Em Mato Grosso do Sul, 29 candidatos declararam à Justiça Eleitoral mais de R$ 10 milhões em espécie.
Seis deles concentram R$ 7,59 milhões, ou 75,5% do total.
O caso mais expressivo é o do deputado estadual Londres Machado (PP), que declarou R$ 4 milhões nessa modalidade.
Odilon Ribeiro (PL) informou R$ 988,6 mil; Rinaldo Modesto (PP), R$ 860 mil; Silvio Pitu (PSDB), R$ 750 mil; Geraldo Resende (União) e Carlos Bernardo (União), R$ 500 mil cada.
Não há ilegalidade, por si só, em possuir dinheiro em espécie.
A Receita Federal, inclusive, prevê expressamente a declaração de “Dinheiro em Espécie – Moeda Nacional” entre os bens financeiros do contribuinte.
A questão que merece análise é outra: por quê? Qual a lógica econômica de manter R$ 500 mil, R$ 1 milhão ou R$ 4 milhões em espécie? Dinheiro parado não produz rendimento.
Enquanto aplicações financeiras podem remunerar o patrimônio, uma pilha de cédulas permanece nominalmente igual e perde poder de compra com a inflação.
R$ 1 milhão guardado continua sendo R$ 1 milhão anos depois, mas compra menos.
Há também uma questão elementar de segurança.
Grandes quantias mantidas fisicamente precisam ser protegidas contra furto, roubo, incêndio, extravio e outros riscos.
Se realmente estiverem fora de instituições financeiras, exigem uma estrutura de segurança proporcional ao tamanho da fortuna.
O contraste fica ainda maior diante da realidade brasileira.
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