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Uma brasileira na fronteira da Ciência Econômica

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Uma brasileira na fronteira da Ciência Econômica

É difícil superestimar a importância das contribuições da teoria dos jogos para a ciência econômica e para a compreensão das interações humanas.

Apesar do nome, como já foi dito muitas vezes, a teoria dos jogos tem muito pouco de “jogo”. Sua origem moderna remonta ao trabalho do matemático John von Neumann e do economista Oskar Morgenstern, que, em 1944, publicaram Theory of Games and Economic Behavior . Poucos anos depois, outro matemático, John Nash, daria uma contribuição decisiva à teoria ao formular o conceito de equilíbrio que hoje leva seu nome. Nash receberia o Prêmio Nobel de Economia em 1994.

A ideia fundamental é relativamente simples. Em inúmeras situações da vida, o resultado de uma decisão depende não apenas daquilo que fazemos, mas também daquilo que outras pessoas fazem. E, ao decidir, tentamos antecipar o comportamento dos demais — que, por sua vez, estão tentando antecipar o nosso.

Uma empresa define seu preço levando em consideração o preço que acredita que sua concorrente cobrará. Um país aumenta ou não uma tarifa comercial imaginando como o outro país reagirá. Duas partes decidem se entram em acordo considerando o que esperam obter caso levem a disputa ao Judiciário. São interações estratégicas, e a grande contribuição da teoria dos jogos foi criar uma linguagem formal para analisá-las.

O famoso equilíbrio de Nash descreve uma situação na qual, dadas as estratégias escolhidas pelos demais, nenhum participante tem incentivo para mudar unilateralmente a sua. E aqui está uma das grandes sutilezas da teoria: um equilíbrio não precisa ser o melhor resultado possível para todos. Pessoas perfeitamente racionais, agindo de maneira individualmente coerente, podem terminar coletivamente em situações ruins. O célebre Dilema dos Prisioneiros é a ilustração mais conhecida desse fenômeno.

A Economia, sendo uma ciência que estuda o comportamento humano, não demorou a incorporar essa extraordinária ferramenta. Hoje, muitos chegam a imaginar a teoria dos jogos como uma teoria eminentemente econômica. Mas sua elegante formulação matemática não deixa enganar: trata-se de uma ferramenta que a Economia tomou emprestada da Matemática e transformou em uma de suas principais linguagens analíticas. E, ao contrário do senso comum, modelos matemáticos sofisticados frequentemente têm poucos números — ou nenhum. Têm letras romanas e gregas, hipóteses, relações e, sobretudo, lógica.

Hoje, qualquer boa formação básica em Economia passa pela teoria dos jogos. Ela aparece quando estudamos oligopólios e queremos entender como empresas concorrentes definem preços; quando analisamos leilões; quando investigamos por que cartéis se formam — e por que podem ser difíceis de sustentar; ou quando estudamos negociações entre empresas, trabalhadores ou países.

Para quem trabalha com Análise Econômica do Direito, a conexão é igualmente poderosa. Contratos podem ser compreendidos como mecanismos destinados a organizar uma interação estratégica que se estende no tempo. As partes decidem quanto investir na relação, quais informações revelar, quando cooperar, quando renegociar e, eventualmente, quando romper o acordo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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