Justiça condena ex-jogadora do Santos por difamação contra Kleiton Lima
A ex-jogadora do Santos Luciana Ortega, de 22 anos, foi condenada pela 4ª Vara Criminal de Santos (TJSP) pelo crime de difamação contra o ex-técnico do Peixe Kleiton Lima .
A atleta acusou o treinador de ter cometido assédio sexual durante um encontro em uma feira-livre, em março de 2024.
No último dia 13, a juíza Denise Gomes Bezerra Mota julgou procedente a queixa-crime movida pelo treinador. A magistrada condenou a ex-atleta à pena de três meses de detenção em regime inicial aberto. A pena privativa de liberdade foi convertida em prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período.
Além disso, a Justiça fixou o pagamento de R$ 20 mil por danos morais a Kleiton Lima, além de custas processuais e honorários advocatícios.
Por se tratar de uma decisão proferida em primeira instância, cabe recurso. A defesa da jogadora tem 15 dias úteis, a partir desta quinta-feira (20), para recorrer ou não da sentença.
Em depoimento à Justiça, Kleiton Lima explicou que indicou a contratação de Luciana e que a acolheu em sua casa por três dias quando ela chegou dos Estados Unidos, em meados de 2023.
Com o passar dos meses, no entanto, a atleta perdeu espaço na equipe titular devido ao baixo rendimento, lesões e ganho de peso. À época, a comissão técnica realizou reuniões com a jogadora e seu pai para cobrar adequação física e profissionalismo.
Em março de 2024, no aniversário da coordenadora Aline Xavier, a comissão técnica foi a uma feira-livre em Santos para uma celebração simbólica e encontrou a atleta no local.
Diante da juíza, Luciana afirmou que o treinador insinuou que ela não deveria comer pastel e fez olhar constrangedor para o seu corpo, fazendo-a se sentir mal e abusada.
Também perante a autoridade, Kleiton confirmou ter lançado um olhar de reprovação pelo fato de a atleta estar comendo pastel mesmo diante das recentes orientações de dieta, mas negou ter proferido comentários pejorativos ou sobre o corpo da atleta.
Em setembro de 2024, a capitã da equipe entregou à coordenação 21 cartas anônimas escritas pelas jogadoras contendo queixas sobre cobranças ríspidas e suposto assédio moral. Apenas uma das cartas narrava acusação de assédio sexual, detalhando o episódio da feira-livre.
Em reuniões com a diretoria de futebol feminino e com o então coordenador de futebol Alexandre Gallo, Luciana teria confirmado ser a personagem do relato.
Com o vazamento das cartas para a imprensa e o desgaste de público, Kleiton Lima acabou demitido do clube.
Investigações internas do Santos concluíram não haver provas das alegações e a Polícia Civil não chegou a instaurar inquérito contra o treinador.
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