Do peixe à energia: como o calor recorde dos oceanos pode encarecer alimentos e afetar turismo
Boias robóticas usadas para monitorar os oceanos ajudam cientistas a acompanhar mudanças na temperatura e na circulação da água em tempo real.
Scripps Institution of Oceanography/UC San Diego O calor recorde dos oceanos já começa a representar um problema econômico: ameaça a oferta de peixes, pode pressionar o preço dos alimentos, reduz o potencial turístico de áreas costeiras e aumenta os riscos para estruturas de geração de energia.
O alerta de cientistas ocorre após os mares registrarem, em agosto, uma temperatura média de 21,07 ºC, igualando o recorde de março de 2024. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ➡️ Os oceanos registram temperaturas cada vez mais altas, e os efeitos não ficam restritos à vida marinha.
A mudança altera a atividade pesqueira, afeta regiões que dependem do turismo costeiro e pode aumentar os custos para empresas e governos.
"O calor prolongado nos oceanos não é apenas um problema ambiental", afirmou Tom Pickerell, especialista em biologia marinha e diretor do programa de oceanos do World Resources Institute (WRI), durante uma apresentação à imprensa.
Segundo Pickerell, um oceano mais quente afeta a pesca e o abastecimento de alimentos, danifica recifes e praias que sustentam o turismo, coloca pressão sobre infraestruturas energéticas e contribui para fenômenos meteorológicos extremos que atingem comunidades costeiras e empresas.
Para o biólogo, o tema deveria preocupar também os ministros das Finanças.
A questão será um dos principais assuntos da COP31, conferência do clima da ONU que será realizada em novembro, em Antália, na Turquia.
Menos peixe pode significar comida mais cara Um dos efeitos econômicos mais diretos do aquecimento dos mares aparece na pesca.
As ondas de calor marítimas podem provocar doenças e mortalidade de espécies ou fazer com que os peixes migrem para regiões mais frias.
Com isso, áreas de pesca podem ser fechadas ou passar a ter uma oferta menor.
"As ondas de calor marítimas podem levar ao fechamento de áreas de pesca devido a doenças, mortalidade de espécies ou simplesmente porque os peixes se deslocam para regiões mais frias do oceano.
Isso pode custar milhões ou até bilhões de dólares às comunidades afetadas, além de ter consequências nos preços dos alimentos", explicou Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha.
O efeito pode se espalhar pela cadeia.
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