Mendonça pode contrariar a PGR no caso Lulinha? Entenda o que acontece
A manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que um dos inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha , deixe o Supremo Tribunal Federal (STF) e vá para a primeira instância colocou uma nova questão no centro do caso: o que acontece se o ministro André Mendonça , relator da investigação, não concordar com a PGR? A resposta é que Mendonça pode discordar.
O parecer da Procuradoria não é uma ordem judicial e, em regra, não vincula o relator.
Mas uma eventual decisão de manter o caso no Supremo pode ser contestada e levada ao colegiado .
O ponto central é justamente a competência da Corte.
A PGR sustenta que não há investigado com foro privilegiado nesse inquérito e que também não foram encontradas provas de que dinheiro proveniente dos desvios do INSS tenha chegado ao episódio investigado.
Por isso, defende a remessa do caso à primeira instância.
O que Mendonça pode fazer Juridicamente, Mendonça pode entender que existe algum elemento que mantém a competência do STF e decidir pela continuidade da investigação sob sua relatoria.
Pareceres do Ministério Público, quando apresentados nessa condição, têm caráter opinativo e não obrigam o julgador a chegar à mesma conclusão.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já assentou esse entendimento, e há também precedentes no próprio STF de ministros que decidiram de forma diferente da posição defendida pela PGR.
Mas, se mantiver o caso no Supremo, Mendonça terá de enfrentar uma pergunta objetiva: qual é o fundamento para a competência da Corte se, segundo a própria PGR, não existe autoridade com foro envolvida na investigação? A Constituição reserva ao STF o processamento criminal originário de determinadas autoridades com foro por prerrogativa de função.
A competência da Corte, portanto, é excepcional.
Decisão pode chegar à Segunda Turma Uma decisão individual de Mendonça não deve encerrar a discussão.
O Regimento Interno do STF prevê o agravo regimental, utilizado para levar determinadas decisões do relator ao colegiado.
O próprio Supremo já reconheceu que a PGR tem legitimidade para recorrer de decisão monocrática de ministro, inclusive em controvérsias envolvendo competência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.