Os documentos que mostram como Juscelino Kubitschek esteve na mira dos EUA durante a ditadura
Relatório aponta assassinato de Juscelino Kubitschek na Via Dutra, em Resende No dia 14 de dezembro de 1970, sob o governo de Emílio Garrastazu Médici, Juscelino Kubitschek (1902-1976), conhecido como JK, foi sabatinado por uma comitiva de norte-americanos no Brasil, sob a liderança do embaixador no país. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em sete páginas datilografadas, timbradas com a indicação do Departamento de Estado dos Estados Unidos e a indicação de confidencialidade, o embaixador William Manning Rountree (1917-1995) relatou ao governo americano suas impressões da conversa.
O documento data de 5 de janeiro de 1971.
Fazia dez anos que JK havia concluído seu mandato presidencial.
A ditadura que governava o país desde 1964 — e tinha o apoio dos EUA — havia cassado seus direitos políticos e impedido, pelo regime de exceção, que ele voltasse à Presidência.
Em 1965, JK havia manifestado publicamente o interesse de disputar novamente eleições e voltar a comandar o país.
Além disso, naquele contexto em que o país era presidido por Médici (1905-1985), JK era visto como ameaça.
"O fato é que JK tinha apelo popular, era nacionalista ao seu modo, e não se submetia cegamente à influência americana", explica o sociólogo Rogério Baptistini, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
"Sua postura era uma ameaça num tempo em que o monitoramento dos líderes latino-americanos era prática padrão por parte de Washington.
Nas décadas de 1960 e 1970, principalmente, os documentos históricos demonstram que o governo dos EUA não se furtou a intervir na política interna dos países do continente, patrocinando golpes e sendo conivente com o assassinato e desaparecimento de lideranças políticas, sindicais, estudantis e sociais.
O objetivo era manter a hegemonia na região." "JK tinha ambições de líder nacionalista independente e de projetos de modernização política e econômica, colocando o Brasil em evidência na América Latina e em escala mundial", afirma o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp).
"O seu comportamento diplomático e prestígio na defesa do desenvolvimento autônomo do país fez de seu governo foco de alerta para os interesses econômicos, ideológicos e militares norte-americanos", ele acrescenta.
Figura-chave Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1956 a 1961 Arquivo público/DF Nas preocupações dos EUA, JK parecia uma figura especialmente relevante.
"Os norte-americanos o viam como um político populista e mais voltado a algumas ideias consideradas de esquerda.
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