Um pequeno crustáceo do oceano profundo carrega dois conjuntos de olhos ao mesmo tempo e cada par resolve uma parte diferente do problema de enxergar quase sem luz
Um par oferece visão quase panorâmica enquanto outro privilegia sensibilidade e distância na penumbra do oceano
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Nas águas escuras da zona mesopelágica, encontrar alimento, parceiros ou predadores exige enxergar quando restam poucos fótons disponíveis. Phronima sedentaria , um pequeno anfípode transparente, resolveu esse desafio com dois conjuntos de olhos profundamente diferentes . Um oferece visão ampla ao redor do corpo; o outro sacrifica campo visual para ganhar sensibilidade e detectar objetos a distâncias maiores.
Phronima sedentaria possui quatro olhos compostos organizados em dois pares. Os grandes olhos mediais ocupam boa parte da região superior da cabeça e apontam principalmente para uma área relativamente estreita. Já os olhos laterais menores cobrem uma parcela muito maior do espaço ao redor do animal.
Essa divisão evita um compromisso comum na visão. Ampliar o campo visual normalmente reduz a quantidade de informação detalhada obtida de cada direção. Em Phronima , um sistema ficou especializado em detectar melhor numa região restrita, enquanto o outro funciona como uma vigilância periférica quase panorâmica.
Um estudo que combinou microtomografia e modelagem computacional mostrou que os olhos mediais possuem maior capacidade potencial de detectar alvos distantes. Suas grandes estruturas ópticas favorecem sensibilidade e permitem aproveitar a luz extremamente fraca que desce das camadas superiores do oceano.
Os olhos laterais fazem praticamente o oposto. Eles possuem menos omatídios e menor resolução, porém juntos cobrem quase toda a esfera visual, deixando apenas uma pequena região cega atrás da cabeça. Assim, algo próximo pode ser percebido mesmo quando não está diante do campo visual principal.
Este vídeo do MBARI apresenta Phronima e explica as diferenças funcionais entre seus dois conjuntos de olhos.
Na zona mesopelágica, aproximadamente entre 200 e 1.000 metros, a luz solar enfraquece rapidamente. Animais transparentes podem produzir pouquíssimo contraste, enquanto organismos bioluminescentes aparecem apenas como pequenos pontos luminosos. Um sistema visual precisa aproveitar cada fóton sem aumentar demais sua própria visibilidade.
Nos olhos mediais de Phronima , os cones cristalinos podem ser extremamente alongados, chegando a aproximadamente 5 milímetros em animais grandes e ultrapassando muitas vezes o comprimento das estruturas equivalentes nos olhos laterais. Eles funcionam como guias que conduzem luz até uma retina compacta.
Um olho eficiente normalmente contém pigmentos escuros que impedem que a luz atravesse entre unidades ópticas. Para um animal quase transparente suspenso na água, porém, grandes estruturas escuras poderiam criar uma silhueta facilmente percebida por predadores olhando de baixo.
Em Phronima , grande parte do sistema medial permanece transparente, enquanto os pigmentos ficam concentrados perto dos pequenos elementos receptores.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.