A Onda: Filme da Netflix é baseado em história real?
Lançado em 2015, A Onda foi o primeiro grande longa-catástrofe da Noruega, virou o maior sucesso local do ano e chegou a ser o candidato do país ao Oscar de Filme Internacional.
Onze anos depois, ele ressurgiu na Netflix , um desastre que você assiste na tela mais não aconteceu, ainda não, mas os geólogos noruegueses não têm dúvida de que vai acontecer.
Sim, o filme é baseado em fatos reais, só que de um jeito mais perturbador do que o “inspirado em uma história real” de costume.
Que ameaça real é essa? O vilão do filme tem endereço: a fenda de Åkerneset, uma rachadura de centenas de metros na encosta de uma montanha sobre o fiorde de Geiranger, no oeste da Noruega.
Essa fenda se abre alguns centímetros a cada ano.
Quando o pedaço finalmente ceder, não é “se”, é “quando”, calcula-se que dezenas de milhões de metros cúbicos de rocha vão despencar dentro do fiorde de uma vez só.
E o número que o filme martela, os dez minutos que a população teria para fugir depois do alarme, não é licença dramática.
É o que os cientistas estimam para valer.
É por isso que a região vive sob vigilância geológica contínua, com sensores cravados na montanha justamente para dar esse punhado de minutos de vantagem.
Já aconteceu antes A parte que arrepia é que a Noruega não está especulando no escuro, ela tem cicatrizes.
O próprio longa abre com imagens reais de deslizamentos do século passado, e a referência mais direta é o desastre de Tafjord, em 1934: um desabamento de rochas gerou um tsunami que matou cerca de 40 pessoas nas vilas à beira do fiorde.
Antes disso, a região dos lagos de Loen já havia sido varrida duas vezes, em 1905 e em 1936, com dezenas de mortos em cada episódio.
Ou seja: quando o diretor Roar Uthaug diz que quis ser fiel ao que os geólogos esperam que aconteça um dia, ele não está vendendo suspense.
Está filmando um cenário que a própria defesa civil norueguesa trata como inevitável.
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