Dívidas de empresas chegam a R$ 229,9 bilhões e ampliam mercado de créditos em situação de estresse
O estoque de dívidas negativadas de empresas brasileiras avançou 14% entre janeiro e maio de 2026, passando de 201,7 bilhões de reais para 229,9 bilhões de reais.
O aumento de 28,2 bilhões de reais em apenas quatro meses mostra a pressão crescente sobre o caixa das companhias e amplia o volume de créditos que podem entrar em operações de recuperação e negociação.
Com o aumento da inadimplência, credores como bancos, fornecedores e prestadores de serviços passam a enfrentar maior incerteza sobre quando, e quanto, conseguirão receber.
Para as empresas devedoras, o desafio é reorganizar passivos que já não cabem no fluxo de caixa.
Para quem tem valores a receber, uma alternativa pode ser negociar esses direitos com desconto para antecipar parte dos recursos.
É nesse espaço que cresce o mercado de ativos distressed , formado por créditos e outros direitos econômicos associados a situações de estresse financeiro.
O investidor compra o direito de recebimento por um valor inferior ao seu valor de face e assume os riscos relacionados à cobrança, ao prazo e à capacidade de pagamento do devedor.
Descontos podem chegar a 90% Entre os ativos que podem ser negociados estão os NPLs, sigla em inglês para empréstimos e financiamentos vencidos ou inadimplidos; os legal claims privados, que são direitos de recebimento discutidos judicialmente entre partes privadas; e os direitos creditórios originados de contratos, vendas ou prestação de serviços.
Continua após a publicidade Embora tenham características diferentes, todos seguem uma lógica semelhante: o comprador aceita assumir o risco de recuperação em troca de um preço de entrada menor.
“Esses créditos podem ser negociados com deságios entre 70% e 90%, devido às incertezas e aos riscos.
Em geral, buscamos um MOIC de 3 a 8 vezes o capital investido”, afirma Matheus Matos, sócio da MA7 Capital.
Na prática, um deságio de 70% a 90% significa que um investidor poderia pagar entre 10 e 30 reais por um direito com valor de face de 100 reais.
A diferença, porém, não representa lucro garantido.
Ela funciona como uma compensação pelo risco assumido na operação.
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