'Conflito gigante': Colunistas debatem relação entre Leila e SAF do Vasco
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A revelação do colunista Pedro Lopes no UOL Prime de que Leila Pereira, presidente do Palmeiras, foi dona da empresa do enteado que vai comprar a SAF do Vasco expõe um "conflito de interesses gigantesco", avaliou Danilo Lavieri no UOL News Esporte , do Canal UOL.
Para o colunista, a ligação familiar e empresarial que atravessa a operação cria um cenário que exige posição da CBF, sobretudo em campeonatos em que os times possam se cruzar. Palmeiras e Vasco se enfrentam na semifinal da Copa do Brasil.
Imagina, isso é uma grande árvore que você vai puxando, assim, aí vai saindo aquela raiz que não termina nunca. A Leila e o [José Roberto] Lamacchia eram donos dessa empresa e eles passaram para o enteado da Leila, ou filho do Lamacchia, justamente na época que ia começar a negociação. Isso reforça que eles têm ligações não só no aspecto de sentar na mesma mesa no jantar, mas também uma ligação empresarial. E mais do que isso, é um enorme, gigantesco, muito claro conflito de interesse. A presidente do Palmeiras está claramente dando condições pra outro clube da Série A contratar jogadores. Danilo Lavieri
Lavieri disse que, mesmo que a operação seja legal, a combinação de papéis e interesses entre Leila, seu marido José Roberto Lamacchia e o enteado Marcos Lamacchia cria ruído para o torcedor e para o mercado. Na leitura dele, a CBF deveria agir para evitar a sobreposição entre comando de clube e participação em outra SAF.
O colunista também tentou separar o debate institucional de uma posição "contra o Vasco". Para ele, o clube tem tamanho para ser protagonista, mas a presença de Leila no negócio é um problema.
Tomara que o Vasco seja o clube que merece ser, só que não dá para ter Leila Pereira envolvida nisso. Se ela quer fazer parte dessa operação, que ela saia do Palmeiras. Ela tem mandato fixo até dezembro de 27, ela pode muito bem renunciar. Simples. Palmeiras não vai acabar sem ela. Danilo Lavieri
Walter Casagrande disse que a questão central é a desconfiança que pode surgir em jogos de pontos corridos, em que um resultado afeta diretamente terceiros. Para ele, o problema não se limita a mata-mata e pode contaminar a credibilidade do campeonato.
Para mim, eu acho antiético completo. Não tem como fugir de um conflito de interesses. Em pontos corridos é delicadíssimo. Qualquer coisinha pode dar suspeita de um time facilitar para o outro. Qualquer coisa! Walter Casagrande
Julio Gomes ampliou o debate ao comparar o tema com casos do futebol internacional e disse que o modelo de "multiclubes" chegou ao Brasil com atraso, mas agora exige regras. Ele argumentou que o risco maior aparece quando dois times com o mesmo controle disputam a mesma liga.
Essa história de o mesmo dono ter mais de um clube é algo que já está rolando no futebol há algum tempo e acaba de chegar ao Brasil. O problema é a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro em que um está em terceiro ou já é campeão e o outro está disputando para não cair. Isso vai gerar um monte de desconfiança, e isso simplesmente não pode acontecer. A CBF vai ter que intervir nessa situação.
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